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Ilustrações de Jesus NÃO quebram o segundo mandamento

Estive pensando sobre esse assunto nesses dias e resolvi escrever algo. O texto abaixo é uma pequena contribuição para o debate sobre as ilustrações de Jesus e a quebra do segundo mandamento. Leia com atenção e com o coração aberto e tranquilo.

Westminster e o segundo mandamento

A maioria dos irmãos presbiterianos e outros reformados que seguem os documentos confessionais de Westminster afirma que fazer ou usar ilustrações de Jesus é um ato pecaminoso. Isso inclui vitrais, pinturas, e até o uso de materiais didáticos com ilustrações de Jesus para ensinar crianças em nossas igrejas. A base dessa crença está na interpretação que os teólogos de Westminster fizeram do texto bíblico do segundo mandamento. No catecismo maior de Westminster (CMW), encontramos essa afirmação em forma de pergunta e resposta:

“Quais são os pecados proibidos no segundo mandamento?

Os pecados proibidos no segundo mandamento são o estabelecer, aconselhar, mandar, usar e aprovar de qualquer maneira qualquer culto religioso não instituído por Deus; o fazer qualquer imagem de Deus, de todas e qualquer das três pessoas, quer interiormente no espírito, quer exteriormente em qualquer forma de imagem ou semelhança de criatura alguma; toda a adoração dela, ou de Deus nela ou por meio dela; o fazer qualquer imagem de deuses imaginários e todo o culto ou serviço a eles pertencentes; todas as invenções supersticiosas, corrompendo oculto de Deus, acrescentando ou tirando dele, quer sejam inventadas e adotadas por nós, quer recebidas por tradição de outros, embora sob o título de antiguidade, de costume, de devoção, de boa intenção, ou por qualquer outro pretexto; a simonia, o sacrilégio; toda a negligência, desprezo, impedimento e oposição ao culto e ordenanças que Deus instituiu.”[1]

Ao defender essa interpretação, Brian Cosby oferece o seguinte argumento:

Ao criar uma imagem de Jesus (por exemplo, em uma pintura ou um vitral), uma pessoa está inserindo suas ideias pessoais de como Jesus era. Como nós não sabemos como era sua aparência, essa imagem não seria uma verdadeira imagem ou representação de Cristo. Pelo contrário, seria simplesmente uma imagem de um homem originada na imaginação do artista, a qual ele chamou de “Jesus”.[2]

A ideia de Cosby é que nossa incapacidade de representar perfeitamente Jesus nos impede de representa-lo em qualquer forma e de qualquer maneira. A ilustração num livro infantil, por exemplo, não é uma imagem fiel de Jesus, mas apenas o Jesus idealizado por uma mente humana. Logo, se não é o Jesus verdadeiro, trata-se de um ídolo, algo que substitui o verdadeiro Deus. É nesse caminho teológico que a maioria dos teólogos reformados segue em relação a esse assunto. Em seu blog pessoal, Ageu Magalhães oferece uma lista de citações de teólogos que defendem essa posição. Entre elas está uma citação categórica de Johannes Geerhardus Vos, autor de Catecismo Maior de Westminster Comentado:

“É errado fazer pinturas ou quadros de nosso Salvador Jesus Cristo?
De acordo com o Catecismo Maior isso, com certeza, é errado, pois ele interpreta que o segundo mandamento proíbe a feitura de qualquer representação de qualquer uma das três pessoas da Trindade, o que certamente inclui Jesus Cristo, a Segunda Pessoa da Trindade, Deus Filho.

Desde que não sejam adoradas nem utilizadas como ‘auxílio à adoração’, não seriam legítimas as representações de Jesus? Conforme a interpretação da Assembleia de Westminster, o segundo mandamento certamente proíbe toda a representação de qualquer uma das Pessoas da Trindade… É claro que há uma diferença entre utilizar figuras de Jesus para ilustrar lições ou livros de histórias bíblicas para crianças e usar figuras de Jesus na adoração, como fazem os Católicos Romanos. É óbvio que a primeira situação não é um mal da mesma classe dessa última, entretanto, apesar dessa diferença, há bons motivos para se afirmar que os nossos ancestrais da Reforma estavam certos ao se oporem a toda representação pictórica do Salvador.”[3]

Existe um mundo de citações e obras que falam sobre isso, mas creio que aquilo que foi colocado aqui já é suficiente para entendermos a afirmação do padrão de Westminster. Qualquer ilustração de Jesus Cristo, assim como de qualquer outra pessoa da Trindade, é um pecado condenado no segundo mandamento. De vez em quando encontro esse debate nas redes sociais e acho realmente interessante. No período do Natal, quando encontramos muitas ilustrações de Jesus, esse assunto sempre aparece com mais frequência. Quero, a partir de agora, oferecer uma argumentação bíblica simples e direta contra a posição de Westminster e da maioria dos reformados.

O que o segundo mandamento realmente proíbe?

No texto do segundo mandamento, em Êxodo 20, lemos o seguinte:

“Não farás para ti nenhum ídolo, nenhuma imagem de qualquer coisa no céu, na terra, ou nas águas debaixo da terra. Não te prostrarás diante deles nem lhes prestarás culto, porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que castigo os filhos pelos pecados de seus pais até a terceira e quarta geração daqueles que me desprezam, mas trato com bondade até mil gerações aos que me amam e guardam os meus mandamentos.” (Ex 20.4-6)

Atente para o contexto do mandamento. Devemos ler esse trecho em sua totalidade e em conexão com o primeiro mandamento. O texto anterior diz “não terás outros deuses além de mim” (Ex 20.3). Esse é o primeiro e único mandamento que fala de um relacionamento e não de um ato. É o mandamento de abertura justamente porque estabelece o padrão para os demais. O povo de Yahweh só tem a ele como Deus. Somente ele deve ser adorado e somente a ele deve ser prestado culto, dízimos, ofertas, sacrifícios, etc. O segundo mandamento vem logo depois para completar o primeiro. No verso 4, lemos que não devemos fazer imagens de nada nos céus, na terra ou nas águas debaixo da terra. O verso 5 nos mostra o contexto de adoração ao completar o mandamento, dizendo que não devemos nos prostrar diante dessas imagens, nem prestar culto a elas. Baseado no uso do termo hebraico “persel” (v. 4), John Frame afirma:

“O que Êxodo 20.4–5 ensina, ao contrário, é que não devemos fazer imagens com o propósito de nos curvar a elas e servi-las. Isso é claro a partir do uso da palavra pesel (traduzida como “imagem esculpida”) no verso 4. Um pesel na Escritura nunca é simplesmente uma obra de arte. É sempre uma imagem usada para fins idólatras. Além disso, a conexão entre os versos 4 e 5 mostra implicitamente que o que Deus proíbe não é arte em si mesma, ou mesmo arte localizada em um lugar de adoração, mas arte feita como um objeto de adoração.”[4]

A afirmação de Frame é ousada para um reformado. Ele é claro ao dizer que o segundo mandamento não proíbe nem mesmo a arte no local de adoração. Seu argumento é baseado no uso de imagens de querubins no local mais sagrado do tabernáculo (Ex 25.18-20). Se qualquer imagem fosse proibida, a ordem de Deus de fazer imagens de anjos com ouro seria contraditória ao seu mandamento de não fazer qualquer imagem de coisa no céu. A argumentação de Frame faz sentido, visto que aquelas imagens estariam presentes em local de adoração, mas não seriam adoradas. Portanto, concluo que a proibição do segundo mandamento é feita no contexto de adoração. Nenhuma imagem deve ser adorada.

Imagens de Deus são adequadas?

A pergunta que pode surgir a partir da minha primeira conclusão é: e as imagens de Deus, podemos fazê-las e adorá-las? Essa é uma dúvida interessante. O texto do capítulo 20 de Êxodo não menciona diretamente imagens do próprio Deus de Israel. Será então que podemos representá-lo de alguma forma? Para responder, precisamos olhar para um texto paralelo ao segundo mandamento em Deuteronômio:

“No dia em que o Senhor lhes falou do meio do fogo em Horebe, vocês não viram forma alguma. Portanto, tenham muito cuidado,para que não se corrompam e não façam para si um ídolo, uma imagem de qualquer forma semelhante a homem ou mulher, ou a qualquer animal da terra ou a qualquer ave que voa no céu, ou a qualquer criatura que se move rente ao chão ou a qualquer peixe que vive nas águas debaixo da terra.” (Dt 4.15-18)

O texto faz menção ao evento em que os dez mandamentos foram dados por Deus ao povo por meio de Moisés. Frank Brito comenta muito bem quando diz que “o modo com que o Senhor se manifestou a Israel tinha um propósito pedagógico”[5]. Quando Deus falou ninguém viu forma alguma, somente se ouviu a voz do Senhor. Isso é usado como base para que ninguém se corrompa ao fazer qualquer tipo de imagem que represente o Deus de Israel. O texto indica que não devemos fazer imagens de Deus, mesmo que seja para adorá-lo. Nesse ponto, concordo com Brito:

“É importante observar que não é somente proibido prestar culto a Deus por meio de imagens, mas é proibido até mesmo fazer imagens para representá-lo, ainda que não seja especificamente para culto. É isso que Deus quis enfatizar no modo com que Ele se manifestou a todo povo”[6]

Yahweh era o Deus invisível para Israel. Nem mesmo quando Moisés pediu para ver a sua glória ele se revelou visivelmente: Então ele disse: Rogo-te que me mostres a tua glória […] E disse mais: Não poderás ver a minha face, porquanto homem nenhum verá a minha face, e viverá (Ex 33.18, 20). O máximo que Moisés consegue é ouvir o nome (Ex 33.19) e o caráter de Deus sendo proclamados (Ex 34.6-7). Essa invisibilidade de Deus aponta para o direcionamento de que não devemos tentar representá-lo. Deus é Espírito (Jo 4.24) e, portanto, invisível (Cl 1.15). O texto de Deuteronômio nos leva à segunda conclusão: não devemos fazer imagens ou ilustrações do Deus invisível.

Isso inclui não apenas imagens para adoração, mas qualquer tipo de representação. Quando falamos em ministério infantil, por exemplo, não considero adequado o uso de ilustrações de Deus, o Pai. Muitas vezes ele é retrato como um velhinho de barba branca, quase como um papai noel. Esse tipo de ilustração constrói uma ideia errada sobre Deus na mente das crianças e pode dificultar o aprendizado bíblico posterior sobre Deus e sobre a Trindade. Se Deus se revelou como Espírito invisível, que o mantenhamos assim para sermos fiéis à sua revelação pedagógica de si mesmo.

A encarnação visível

Aqui está o grande PORÉM desse texto. Deus se fez visível na encarnação do Filho. O envio de Jesus Cristo para andar e viver entre nós foi um fato sem precedentes na história da humanidade. Deus estava entre nós em corpo. Os olhos de seus contemporâneos o viram! Perceba comigo a transição da revelação invisível a Moisés para a revelação visível descrita por João.

“Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós. Vimos a sua glória, glória como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade.” (Jo 1.12)

Aquela glória que Moisés não viu no monte estava agora sendo vista pelos homens. O que Moisés somente ouviu, João viu com seus próprios olhos! Essa é uma transição incrível. O texto de Colossenses mencionado acima diz que Cristo é a “imagem do Deus invisível” (Co 1.15). A revelação progrediu e agora temos uma imagem de Deus, a expressão exata do seu ser (Hb 1.3). Se o texto de Deuteronômio nos dizia para não fazermos qualquer imagem de Deus porque ele não se revelara de forma visível, agora esta revelação chegou até nós e não temos mais esse problema com a invisibilidade. Concluo que se a imagem era errada por falta de revelação visível, a presença dessa revelação possibilita algum tipo de ilustração. Portanto, não vejo pecado em usarmos ilustrações de Jesus Cristo. John Frame aponta para 1 João 1.1-3 como uma descrição de um banquete visual divino que os discípulos experimentaram![7]

Nesse ponto, coloco-me contra a afirmação do CMW de que não podemos fazer qualquer ilustração de qualquer das três pessoas da Trindade. Creio que além de possuirmos essa liberdade, é bom usar as ilustrações para ensinar crianças. Elas precisam aprender desde cedo que Deus, o Filho, encarnou, se fez homem e, por ser 100% humano e divino, foi capaz de oferecer sacrifício perfeito por nós. O uso de ilustrações é uma excelente maneira de mostrar isso para uma criança. Leia esta ótima citação de Frame:

“Alguns materiais de escola dominical, buscando respeitar o Catecismo Maior, incluíram fotos de personagens e lugares da Bíblia, mas não de Jesus. Essa prática dá ao estudante a impressão de que Jesus, durante seu ministério terreno, era uma presença invisível. Mas isso encoraja o docetismo, a heresia que o apóstolo João nos advertiu nos textos citados anteriormente. O docetismo diz que Jesus não veio realmente em carne. Esse é um erro muito sério, que devemos desencorajar em nossos filhos. Em vez disso, devemos incluir imagens de Jesus em nossos materiais de ensino, de modo a dar aos nossos alunos algum sentido da visibilidade profunda da vinda de Deus para o nosso meio ”.

Sensacional! Continuando… Também não vejo problema em vitrais, pinturas ou outras representações artísticas sobre Cristo (feitas com respeito e certa fidelidade às Escrituras, claro). É interessante comentar que essa posição de Westminster proíbe, inclusive, filmes e peças teatrais com a figura de Jesus. Essa era a opinião de Vos, por exemplo: “A Sociedade Bíblica Americana (The American Bible Society) merece ser elogiada pela decisão de não deixar mostrar a figura do Salvador nos filmes produzidos por ela”[8]. Filmes como a Paixão de Cristo seriam proibidos para os reformados. Felizmente, não penso que esse seja o caso.

O imaginário escatológico

Um último ponto que preciso tocar é o da imaginação. O texto do CMW afirma que não devemos construir imagens de Cristo nem mesmo interiormente em nosso espírito. Ou seja, não poderíamos nem mesmo imaginar o Filho de Deus em nossas mentes. Brian Cosby explica:

“Os Padrões de Westminster não somente identificam a criação física de uma imagem de Deus (ou de uma das pessoas das Trindade), eles também miram a ideia por trás disso como uma violação do Segundo Mandamento. Não importa se a ideia é expressa em papel ou permaneça na mente, o mesmo princípio se aplica: inserir um Cristo ‘inventado’ no lugar do verdadeiro Cristo revelado na Escritura é idolatria.”[9]

O raciocínio parece ser o seguinte: se eu não posso conceber em minha mente a imagem físico-divina perfeita de Jesus, então, qualquer imagem dele construída em minha mente se torna uma quebra do segundo mandamento. Novamente discordo de Westminster (acho que você já percebeu que não tenho nenhum problema com isso). E não só discordo, mas creio que eles foram longe demais nessa posição. Não há qualquer base bíblica para afirmar isso em relação a Jesus. O que dizer dos discípulos que viram Jesus? Eles não poderiam ter lembranças imperfeitas sobre ele? E o que dizer das imagens misteriosas que a própria Bíblia nos oferece sobre o Cristo que voltará? Você lembra da imagem cristológica-escatológica de Apocalipse 19?

“E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro; e julga e peleja com justiça.E os seus olhos eram como chama de fogo; e sobre a sua cabeça havia muitos diademas; e tinha um nome escrito, que ninguém sabia senão ele mesmo.E estava vestido de veste tingida em sangue; e o nome pelo qual se chama é A Palavra de Deus.E seguiam-no os exércitos no céu em cavalos brancos, e vestidos de linho fino, branco e puro.E da sua boca saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações; e ele as regerá com vara de ferro; e ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso.E no manto e na sua coxa tem escrito este nome: Rei dos reis, e Senhor dos senhores.” (Ap 19.1-16)

Essa passagem está cheia de significados. Percebemos que a visão apresenta Jesus em seu caráter e ações. Chamo atenção para a função dessa passagem em nosso imaginário escatológico. O texto nos chama a visualizar em nossa mente Jesus Cristo como um rei guerreiro e vitorioso. Osborne argumenta que a figura do cavaleiro no cavalo branco, com suas vestes, espada e coroas, é uma imagem em comparação com as figuras de César e do anticristo. Ele diz sobre o uso dessa imagem:

“Aquilo que tipificava o imperador para os pagãos romanos e tipificará o Anticristo para a humanidade iludida, Cristo, e somente Cristo, exemplificará em seu sentido final e definitivo […] Seus olhos serão como chama de fogo, ou seja, ele verá tudo e saberá tudo, e seu juízo será executado em caráter definitivo. Sua veste está salpicada do sangue dos seus inimigos em antecipação à vitória final.”[10]

Esse texto é um convite claro das Escrituras para criamos uma imagem de Jesus em nosso imaginário e esperarmos em grande expectativa por ela. É um convite para colocarmos essa imagem de Cristo lado a lado com a imagem do imperador e do anticristo, e visualizarmos a superioridade do nosso Rei e Salvador Jesus. Apocalipse é um livro que mexe com nosso imaginário teológico-escatológico! Além de ser permitido imaginar a forma visível de Deus em Jesus, somos encorajados a fazer isso para gerar expectativa e louvor a esse Deus que se fez visível e que ainda nos fará vê-lo em toda sua glória. O progresso escatológico da história é um progresso do invisível para o visível. Nossa mente precisa caminhar também nesse progresso. Concluo que não há problema nenhum em construir imagens de Jesus na mente, pelo contrário, devemos fazer. É por isso que, como John Frame, preciso dizer sobre isso: “eu devo discordar do catecismo”[11].

Conclusões

Concluo dizendo que esse não é um texto que visa esgotar o assunto. Coloco aqui apenas uma posição resumida que estive estudando e pensando por alguns dias. Respeito meus amigos reformados que estão ao lado do CMW e tenho muito apreço por eles. Estou apenas discordando em amor e tentando mostrar que essa posição que defendo não é nenhuma heresia digna de divisão e repúdio sem filtro. Creio que ela é bíblica e que podemos e devemos discordar de Westminster nesse ponto, inclusive quem subscreve a confissão. Resumo meus argumentos nos pontos abaixo:

  1. O contexto do segundo mandamento é adoração. Logo, não devemos fazer imagem nenhuma para prestar culto a elas.
  2. Não devemos fazer imagens ou ilustrações do Deus invisível. Não é adequado retratar humanamente Deus, o Pai, por exemplo.
  3. Deus, o Filho, é a imagem do Deus invisível. Ele se fez visível, logo, podemos usar ilustrações dele para ensinar sobre ele.
  4. A Bíblia mexe com nosso imaginário escatológico sobre Jesus. Logo, não há problema em construir uma imagem de Cristo na mente, pelo contrário, somos encorajados a isso.
  5. Discordo com absoluto respeito ao Catecismo Maior de Westminster e aos irmãos que concordam com ele nesse ponto.

 

Pedro Pamplona é casado com Laryssa, pai do Davi e pastor na Igreja Batista Filadélfia, em Fortaleza. Formado em Administração pela Faculdade 7 de Setembro (Fortaleza/CE), pós-graduado em Estudos Teológicos pelo Centro Presbiteriano Andrew Jumper (São Paulo/SP) e estudante do Sacrae Theologiae Magister (Th.M) em Teologia Sistemática do Instituto Aubrey Clark (Fortaleza/CE).  
[1]Pergunta 109. http://www.monergismo.com/textos/catecismos/catecismomaior_westminster.htm

[2]http://reforma21.org/artigos/o-segundo-mandamento-os-padroes-de-wesminster-e-as-imagens-de-jesus.html

[3]http://resistenciaprotestante.blogspot.com/2016/01/podemos-usar-imagens-de-jesus.html

[4]A Doutrina da Vida Cristã (Uma Teologia do Senhorio). iBooks, p. 1444.

[5]https://resistireconstruir.wordpress.com/2014/07/25/o-segundo-mandamento/?fbclid=IwAR2knAEXrRmxK1-UsfNW8PkBHB0hEYkBwXzat6sTaMcIuCxBb3qOcKDUnFM

[6]Ibid.

[7]A Doutrina da Vida Cristã (Uma Teologia do Senhorio). iBooks, p. 1540.

[8]http://resistenciaprotestante.blogspot.com/2016/01/podemos-usar-imagens-de-jesus.html

[9]http://reforma21.org/artigos/o-segundo-mandamento-os-padroes-de-wesminster-e-as-imagens-de-jesus.html

[10]OSBORNE, Grant. Apocalipse. Vida Nova, 2014, p. 774

[11]A Doutrina da Vida Cristã (Uma Teologia do Senhorio). iBooks, p. 1540.


  • Caro irmão, Pb. Pedro Pamplona,
    Em primeiro lugar, agradeço a deferência ao meu blog e o tratamento respeitoso ao pensamento contrário. Já que fui citado, sinto-me obrigado a fazer um contraponto na esperança de convencê-lo que a interpretação de Westminster quanto ao 2º mandamento, proibindo qualquer imagem de qualquer das 3 pessoas da Trindade está fiel ao ensino bíblico.
    Eu um ponto do seu escrito você disse:
    “Quando falamos em ministério infantil, por exemplo, não considero adequado o uso de ilustrações de Deus, o Pai. Muitas vezes ele é retrato como um velhinho de barba branca, quase como um papai noel. Esse tipo de ilustração constrói uma ideia errada sobre Deus na mente das crianças e pode dificultar o aprendizado bíblico posterior sobre Deus e sobre a Trindade. Se Deus se revelou como Espírito invisível, que o mantenhamos assim para sermos fiéis à sua revelação pedagógica de si mesmo.”
    Eu concordo plenamente com você e o mesmo argumento se aplica a Cristo. Muitas vezes ele é retrato como um jovem de pele macia, olhos claros e cabelos sedosos, quase como uma mulher. Esse tipo de ilustração constrói uma ideia errada sobre Jesus na mente das crianças e pode dificultar o aprendizado bíblico posterior sobre Deus e sobre a Trindade. Se Deus se revelou como pessoa Teantrópica, que o mantenhamos assim para sermos fiéis à sua revelação pedagógica de si mesmo.
    Na sequência, você afirmou:
    “Se o texto de Deuteronômio nos dizia para não fazermos qualquer imagem de Deus porque ele não se revelara de forma visível, agora esta revelação chegou até nós e não temos mais esse problema com a invisibilidade. Concluo que se a imagem era errada por falta de revelação visível, a presença dessa revelação possibilita algum tipo de ilustração.”
    É equivocado dizer que Deus não se revelou de forma visível antes de Cristo. Moisés viu a manifestação de Deus pelas costas (Ex 33.23) e ele apareceu em forma visível, de modo teofânico, a Abraão (Gn 12, 18), a Jacó (Gn 32), a Josué (Js 5.14), a Isaías (Is 6) e a outros. João Calvino defende, inclusive, que todas as teofanias do AT são Cristofanias, pois, na economia da Trindade, a segunda pessoa é responsável pela manifestação visível de Deus. Assim, quando Cristo se encarna, a diferença é quanto à perenidade da manifestação. O que era passageiro, eventual e provisório, agora se torna encarnado e perene. Mesmo com todas as manifestações visíveis, teofânicas, de Deus no AT, nenhum desenho foi gerado. Pelo contrário, quando Moisés viu a Deus, de forma tão intensa que teve que usar véu porque seu rosto resplandecia (Ex 34.29), a primeira coisa que fez não foi um desenho, mas lavrar duas novas tábuas de pedra para que Deus escrevesse Palavras (Ex 34.1).
    Você usa bastante os argumentos de John Frame, que é, de fato, uma mente brilhante, mas, infelizmente, um conhecido dissidente da subscrição confessional. Um das citações é esta: “O docetismo diz que Jesus não veio realmente em carne. Esse é um erro muito sério, que devemos desencorajar em nossos filhos. Em vez disso, devemos incluir imagens de Jesus em nossos materiais de ensino, de modo a dar aos nossos alunos algum sentido da visibilidade profunda da vinda de Deus para o nosso meio ”.”
    Eu digo que Frame está certo no diagnóstico, mas não no remédio. Tratar Jesus como um espírito, ou um ser invisível é docetismo mesmo. Mas a solução não é desenhá-lo como se fosse um mero humano (ebionismo), mas não dar aparência a ele. Hollywood (até os anos 80) e algumas editoras cristãs sérias conseguiram contar histórias de Jesus sem mostrá-lo. Ele está lá, de carne e osso, mas não aparece a sua imagem, ninguém sabe qual é o seu rosto, ou a sua altura, ou a sua cor de pele. Assista o filme o Manto Sagrado (1953) e Ben Hur (1959), como exemplos.
    Em outro ponto do texto, você disse:
    “Novamente discordo de Westminster (acho que você já percebeu que não tenho nenhum problema com isso). E não só discordo, mas creio que eles foram longe demais nessa posição. Não há qualquer base bíblica para afirmar isso em relação a Jesus. O que dizer dos discípulos que viram Jesus? Eles não poderiam ter lembranças imperfeitas sobre ele? E o que dizer das imagens misteriosas que a própria Bíblia nos oferece sobre o Cristo que voltará? Você lembra da imagem cristológica-escatológica de Apocalipse 19?”
    Eu digo que não há problema em você discordar de Westminster. Para um pastor presbiteriano, isso é um problema grave, pois houve subscrição confessional. Sobre o mérito, os discípulos não quebraram o segundo mandamento porque eles tiveram acesso físico à pessoa de Cristo. Suas memórias eram reais quanto a Jesus. No nosso caso, como Deus deixou a nós palavras e não imagens, todas as nossas imagens quanto a Jesus são falsas. Tanto é assim que o texto que você usou de Apocalipse 19 confirma isso. Não é uma descrição da aparência de Jesus, mas uma descrição simbólica, com olhos de chama de fogo. No começo do livro, João o descreve não de modo real, mas por símbolos: “A sua cabeça e cabelos eram brancos como alva lã, como neve; os olhos, como chama de fogo; os pés, semelhantes ao bronze polido, como que refinado numa fornalha; a voz, como voz de muitas águas. Tinha na mão direita sete estrelas, e da boca saía-lhe uma afiada espada de dois gumes.” (Ap 1.14-16). Ora, se como você disse “Esse texto é um convite claro das Escrituras para criamos uma imagem de Jesus em nosso imaginário”, o Jesus que teremos em nossa mente é o de um homem com chamas de fogo nos olhos, voz de muitas águas e com uma espada afiada saindo da boca. Nada comparado aos rostos efeminados que os artistas atuais têm produzido sobre Jesus.
    Concluo agradecendo o respeito, mas esperançoso de que o pastor reveja seu pensamento. Não há qualquer base na bíblia de representações de Jesus por imagens. Aqueles que conviveram 3 anos com ele nos deixaram palavras, não imagens. E a igreja cristã seguiu este rumo. Que Deus abençoe o irmão.

    • Oi Ageu, obrigado pelo comentário e também pelas palavras amigáveis. É bom entender mais sobre os argumentos que discordam de mim. Respeito a opinião de vocês. Escrevi não para afrontar presbiterianos e sua confessionalidade, a qual respeito demais, mas porque percebo que essa é uma dúvida no meio dos batistas. Abraço!

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