Pular para o conteúdo

Redes Sociais, Livros e o Perigo do Consumismo

Muita gente já está acostumada  a ler e escutar que as redes sociais mexem com nossos desejos e tem impulsionado nosso lado consumista. Isso é ainda mais verdade quando falamos do Instagram. E a situação vai além da compra de produtos. Talvez você já tenha lido sobre as fake lifes que existem na rede. Essas vidas falsas servem como padrão de vida para muitas pessoas. O usuário corre o perigo de se tornar um consumista da vida de famosos e influenciadores. “Eu quero aquela aparente vida de felicidade, luxo, festas e viagens para mim!”. Por conta disso o Instagram já foi classificado, inclusive, como a “pior rede social para a saúde mental do jovens”.

O que isso tem a ver conosco? Eu gostaria de apontar para um problema semelhante: nosso consumismo em relação a livros. Andei pensando nisso nesses últimos dias e, já que participo desse mundo online de indicação de livros, me sinto responsável por tratar desse perigo. Gravei alguns vídeos no meu Instagram stories sobre isso e tive muitas respostas positivas e de agradecimento (eles estão salvos nos meus stories em destaque – @pedromcp), por isso resolvi trazer o assunto aqui. Meu ponto é: não se iluda com o mundo da literatura cristã e não se deixe dominar por um consumismo por livros e pela vida dos outros.  

Alguns esclarecimentos são importantes nesse assunto. Pense nas próximas informações antes de querer imitar a aparente vida ou a biblioteca de alguém. Em primeiro lugar, muitos de nós recebemos livros gratuitamente para indicarmos. Não compramos tudo que mostramos. Em segundo lugar, nossas bibliotecas não são tão grandes quanto você pode pensar. A minha mesmo não é. Creio que muitos que estão lendo esse texto possuem mais livros do que eu. E em terceiro lugar, mesmo que você considere minha biblioteca grande, por exemplo, saiba que eu compro livros a quase 10 anos. Se você comparar esse espaço de tempo com a quantidade de livros que tenho, verá que compro poucos de cada vez e que construí lentamente minha biblioteca.

Portanto, não se iluda. Não pense em algo do tipo: “se ele pode comprar tudo isso eu também posso ou devo”. Nós não compramos tudo. Não ache que você deve ter uma biblioteca como a do fulano do Instagram. Você deve ter uma biblioteca segundo a sua realidade. Não pense que você precisar ter uma biblioteca grande o mais rápido possível. Tudo tem seu tempo de acordo com sua realidade. Lembre-se, por exemplo, que minha biblioteca e a da maioria da galera levou anos para estar do jeito que está. E mais, não queira ser a todo custo o tipo de leitor que o fulano é. Não seja esse consumista de vida. Você não tem obrigação de ler o tanto de livros que o fulano lê. Cada um tem sua realidade de tempo e recursos. Eu, por exemplo, não consigo “competir” com um seminarista solteiro e sem trabalho.

Quero encerrar dizendo que existem algumas prioridades na sua vida que estão acima da compra de livros. Posso listar aqui pelo menos 4: Alimentação, moradia, vestuário e dízimos/ofertas. Se você for casado essas três primeiras prioridades são maiores ainda. Se tiver filhos outras prioridades surgem. Eu desconfio de pessoas que não vivem tão bem em relação a essas prioridades, mas compram muitos livros. Sua principal resolução deve ser: sua vida literária deve condizer com sua realidade financeira.

A dica é fazer um planejamento financeiro priorizando as coisas mais importantes e estipular um valor (fixo e mensal) que esteja sobrando para compra de livros. Faça uma planilha no Excel e programe-se. Você pode pecar comprando livros de teologia. Já pensou nisso? Compre com bom senso e responsabilidade. Ore para que Deus lhe dê sabedoria.  E lembre-se: Se sua biblioteca pessoal é enorme e cresce a cada mês enquanto seu cartão de dízimo/ofertas está em branco e quase sempre vazio, existe algo muito errado com sua fé, teologia e leituras.

Tomando esses cuidados, faça bom proveito das redes sociais, do perfis que indicam livros e principalmente dos próprios livros! Tudo isso é ótimo se usarmos da maneira correta. Se você tem condição para comprar muitos livros, compre. Não tenho nenhum problema com isso. Aproveite e abençoe a vida de quem não tem. Que possamos glorificar a Deus mantendo uma boa relação entre o bolso e a biblioteca.

Boas leituras!

Pedro Pamplona é casado com Laryssa e formado em administração pela Faculdade 7 de Setembro (Fortaleza/CE), pós-graduado em Estudos Teológicos pelo Centro Presbiteriano Andrew Jumper (São Paulo/SP) e estudante do Sacrae Theologiae Magister (Th.M) em Teologia Sistemática do Instituto Aubrey Clark (Fortaleza/CE). Serve integralmente como líder de jovens na Igreja Batista Filadélfia, em Fortaleza.

 



  • Lys Bastos

    Ótima matéria, e bem esclarecedora. Desde criança sempre gostei de livros, e sempre que posso compro um de acordo com meu interesse em ler, não me baseio por indicações de A ou B, eu mesmo faço as minhas escolhas. Em livros impressos eu tenho mais de 100, em e-book tenho uns 160, e sempre que posso, termino de ler um e vou para outro, como disse, de acordo com o meu interesse e pra exercitar a memória, a leitura e principalmente, melhorar a comunicação. É através da leitura que consigo desenvolver algumas aptidões, e me garantem boas notas nas provas de redação na faculdade.

  • Guilherme Cancella

    Muito edificante pra mim.
    Glória a Deus!

  • Wederson

    Excelente matéria.

    Confira matérias interessantes em nosso site: http://palavraempratica.com.br