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Conversão ou confusão?

A fé em Jesus é uma fé intimamente ligada ao coração. Mas o que exatamente quero dizer por coração? Coração na abordagem de Jesus é o nosso centro existencial, é o âmago do nosso ser. É aquele lugar onde residem todas as nossas motivações, angústias, alegrias, medos, tristezas, euforias e intenções.

O coração tanto cobiça indevidamente aquilo que não lhe pertence, como é, também, a residência dos mais sublimes sentimentos que nutrimos pelas pessoas. É o lugar que só você e Deus chegam. É onde podemos testemunhar sem mentiras o quão maus somos e o quão restaurados estamos, ou não, sendo pelo Espírito Santo. O coração é o centro de tudo, é o lugar mais íntimo da nossa existência, e também o lugar mais delicado de se mexer na história de um ser humano.

Curioso é que Jesus fala, que do coração é de onde procedem os maus desejos, e é exatamente aí onde temos uma sonora confusão. O pecado e a maldade são intrínsecos ao seres humanos. Nossa maldade é voluntária, e desde o nascimento até o fim da vida não paramos de pecar. Somos desobedientes por natureza, somos miseráveis criaturas que precisam desesperadamente da intervenção de Jesus para que saiamos do lamaçal de rebeldia contra Deus no qual nos encontramos.

Por isso, a conversão não pode ser confundida com algo raso, banal ou fácil demais. Estamos falando de um processo de proporções estruturais na vida de uma pessoa. Não podemos confundir a conversão bíblica com um levantar de mãos ou com uma oração na frente de uma congregação.

Conversão não pode se resumir a apresentação de números estratosféricos pela liderança das igrejas ao término de seus eventos, onde não poucas vezes, nem mesmo o evangelho de Jesus foi pregado. Como podemos alegar que diante da inexistência da pregação do evangelho existam verdadeiros novos convertidos?

Conversão é muito mais do que tornar-se membro da igreja da moda que tem o movimento do momento. É mais do que procurar a denominação com o melhor louvor, a melhor luz, o melhor som ou com a galera mais ‘descolada’. Não que estas coisas sejam erradas em si mesmas, todavia, conversão real está anos-luz disso tudo.

Conversão implica em uma radical transformação do coração. É uma vida inteira de idolatrias e equívocos deixada para trás e a adoção de um novo modo de vida completamente diferente, com base única e exclusiva nos ensinamentos e nas palavras de Jesus. É um processo dolorido de troca de mentalidade, pressupostos, cosmovisão, e isso, não é nada simples.

É nesse ponto que eu queria te desafiar a refletir seriamente se tem sido verdadeiramente o Senhor Jesus que tem dominado o seu coração. Você está em busca de Jesus ou das coisas que você pode arrancar dEle? Queria te desafiar a sondar seu coração e examinar francamente o que tem te motivado, e exatamente porque você tem vivido e feito tudo que vive e faz, seja dentro ou fora da igreja.

Infelizmente, é possível que passemos anos e anos frequentando cultos, retiros, evangelismos, shows e toda sorte de ambientes religiosos, mas ao mesmo tempo completamente distantes de Deus e de um relacionamento verdadeiro com Jesus. O fato é que você não sabe cuidar tão bem de si mesmo quanto Deus nosso Pai o sabe, e se você está procurando qualquer outra coisa na vida pra suprir seus sonhos e desejos que não o próprio Senhor, você precisar se arrepender e abandonar a vida idólatra e egoísta em que você está afundado. Acredite, Cristo é suficiente!

Transformaram uma parte significativa da igreja em um supermercado da fé e Jesus em um multi-produto que atende a todas as nossas fúteis aspirações narcisistas e diabólicas. Tudo isso é fruto da nossa natureza caída e do nosso coração pecador que rompeu com os valores do Reino de Deus e com o próprio Deus. E o que é pior, nós cristãos caímos nessa mentira, nós a alimentamos, nós mesmos a divulgamos.

Todavia, há esperança! Jesus redime corações, ressignifica motivações, traz novo sentido para nossa existência e faz novas, consistentes e verdadeiras conversões para glória de Seu Santo nome.

Minha reflexão é fruto da preocupação de estarmos vivendo domingo após domingo, retiro após retiro, louvorzão após louvorzão, uma mentira travestida de religião cristã. De estarmos buscando êxtases e arrepios espirituais em lugar do evangelho do contrito de coração, ou de estarmos buscando satisfação e contentamento em outros lugares, quando na verdade Aquele que é tudo em todos, e que é o único que pode verdadeiramente suprir os mais íntimos desejos e necessidades de nossas almas, quer apenas uma única coisa de nós: o nosso coração.

Oro pra que sua conclusão ao examinar-se a si mesmo não seja de que sua conversão é na verdade uma grande confusão, porém se o for, alegre-se, ainda há tempo para verdadeira conversão, arrependa-se, mude sua forma de ver o mundo, faça isso todos os dias. É a ordem do Mestre!

Que Deus nos cubra com suas misericórdias e nos alcance com seu infinito amor, e que nossas consciências sobre a profundidade e seriedade do que significa converter-se ao Senhor, seja mais apurada e séria, de modo a que nossas vidas estejam cada vez mais rendidas aos pés da cruz, para honra e louvor de Cristo, nosso Senhor!

Que Deus nos alcance!

Lucas Freitas é plantador da Igreja Presbiteriana do Brasil na cidade de Cunha/SP, é bacharel em teologia pela FUNVIC – Fundação Universitária Vida Cristã em Pindamonhangaba/SP, é formado no SEDEC – Seminário de Desenvolvimento Comunitário pelo CADI Brasil, na Escola Compacta pela Missão Steiger Brasil e no CTM Centro de Treinamento Missionário da Igreja Presbiteriana do Brasil.