Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.
Tiago 4:6

Eu não sei quantos já assistiram ao “Rei Leão”. Foi minha infância. Eu tinha a famosa “fita de vídeo cassete” do filme do Simba e assistia umas dez vezes por dia. Esses dias, em um momento nostálgico, ouvi uma das músicas que tem no primeiro filme. Uma parte da letra dizia assim:

“O que eu quero mais é ser rei! Ninguém dizendo: ‘não faça isso!’ Ou então ‘pare com isso!’
[…] Livre pra poder viver, pra fazer o que quiser…”

7 bilhões de reis

E então eu percebi o que com cinco anos eu não podia mensurar: vivemos – desde sempre – num mundo egolátrico (idólatra do ego). Isso significa que posso dizer que todos nós temos a forte de tendência de idolatrarmos a nós mesmos. Nossa busca natural, sejamos crentes ou não, é por um reino só nosso. Isso é fácil perceber quando olhamos pra imensa dificuldade ao resistirmos as tentações, ou pra impossibilidade, dos não regenerados, em se sacrificar sem que seja por motivos que lhes tragam alguma recompensa. Não dizemos “não” com facilidade na hora da tentação porque queremos satisfazer a nós mesmos. Nos amamos tanto que quase não conseguimos nos parar. Precisamos deixar o nosso EU de barriga cheia. Caso contrário, ficamos tristes, chateados, emburrados.

Crescemos assim. Aprendemos que devemos viver para nós mesmos; “ouvir nosso coração”, fazer o que quisermos. Submissão? Que nada! Isso é do passado. Estamos numa sociedade livre. Livre de regras. Humildade não é mais tão legal assim. A carta de Tiago enfatiza vários contrastes, entre eles o tema da humildade e soberba. Fala muito sobre como nos portamos em relação aos outros e à nós mesmos. Ela nos desafia a termos uma postura bem diferente do que alguém que faz de si mesmo um rei. O rei merece que outros vivam em prol dele. Viver uma vida com o objetivo de final de nos agradar é a pior e mais comum das atitudes. E somos assim.  Todos são nossos súditos. “Por que ele(a) me tratou assim? Quem ele(a) pensa que é? Você está falando com um rei! Vou lhe punir com meu ódio, rancor, raiva e desprezo.” Não seriam poucos os exemplos comuns do cotidiano que acabam por provar o nosso desejo auto monárquico.

Coroa de espinhos

Diante de um mundo com 7 bilhões de reis, vemos o verdadeiro Rei vindo a este mundo numa estrebaria. Ele não “veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” Mc 10:45. Jesus tinha todos os motivos para gloriar-se. Diferente de nós, ele merece glória. Ele é o centro de tudo. De fato, tudo gira ao redor dele. O mundo veio a existir por meio dele. Toda a criação está sujeita a seu senhorio. Não há quem não seja seu súdito. Mas…

Embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se;
mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens.
(Filipenses 2:6,7)

É interessante como Cristo realizou sua obra redentora – de certa forma – de modo tão poético. Que lição, amigos. Ele salva pecadores cheios de si ao esvaziar-se. Ele se entrega, sendo o dono de tudo. Ele se humilha, sendo o mais exaltado ser. Se faz homem, sendo Deus. Humilha a si mesmo para resgatar homens perdidos por tanto se exaltarem. Não é à toa que ele nos salva de nós mesmos. Cristo recebe uma coroa de espinhos e seu cálice é seu próprio sangue. Na Cruz, o Rei eterno morre para dar a vida aos servos. Enquanto nos inflamos para não levarmos desaforo para casa, Jesus leva todos os nossos pecados até a cruz.

Matando nosso Simba

Conhecer a Deus deve nos humilhar. A Palavra de Deus nos humilha. E graças a Deus por isso. O destino de todo aquele que se exalta é a destruição! (Nabucodonosor que nos diga). Enquanto Satanás, para nos destruir, nos exalta, Deus, para nos crescer, nos humilha. Enquanto Satanás nos oferece um reino para ser nosso, Deus nos oferece o Seu próprio Reino. Quanto mais de nós nos enchermos, menos de Cristo teremos. O convite do evangelho é que carreguemos uma cruz, não uma coroa. Para que, no fim, recebamos a coroa da vida no Reino eterno. O convite do evangelho é que abandonemos nossa vida para que Cristo viva em nós. Não há ressurreição sem morte. Se fomos ressuscitados com Cristo é porque com ele morremos!

Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos. Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros. Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz! Por isso Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, no céu, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai. (Filipenses 2:3-8)

O evangelho não é sobre nós. O evangelho é sempre sobre o outro. Primeiramente, sobre o Outro, Cristo, e depois sobre os outros, nossos irmãos. Consideremos os outros superiores a nós mesmos. Viver uma vida de humildade é uma luta. Não deve ser fácil pra ninguém. Uma vez falei a um amigo que ele deveria lutar contra a arrogância. A resposta foi “não sou arrogante”. Isso parece uma ironia pronta: não houve humildade para admitir que, na verdade, todos somos. Há quem lute mais ou quem lute menos. Mas todos somos arrogantes. A nossa oração deve ser sempre que Deus nos faça reconhecer nossos pecados e quem somos diante Dele e ao ver toda a Sua grandeza, olhando para Ele, nos prostrarmos ao único Rei oferecendo adoração que só será verdadeira se nascer de um coração humilhado.

 

Richardson Gomes, membro da Igreja Batista Maanaim, designer e produtor de vídeo, cursa Publicidade e Propaganda no Centro Universitário 7 de Setembro e Teologia no Seminário e Instituto Bíblico Maranata. 


O Ministério Fiel tem investido há anos para produzir e distribuir a boa teologia reformada no Brasil. Seja por meio da editora, conhecida por trazer obras de autores como Paul Washer, John Piper e R. C. Sproul, seja através de conferências, publicações de e-books gratuitos e até cursos. Agora, para complementar essa lista, uma nova plataforma ganhará intenso investimento.

É que o Ministério Fiel acabou de lançar um canal no YouTube com a participação de diversos produtores de conteúdo. São eles, Yago Martins e sua esposa Isa Martins (Dois Dedos de Teologia), George Lucas e sua esposa Rita Carolina (Geolê), Saor Lucena e sua esposa Raissa Lucena (Evangelho em Questão), além de David Mesquita, que apresenta um canal homônimo.

Para Yago Martins, o YouTube também é um lugar para a teologia e não apenas nos seminários ou grupos de estudo. “Eu acho que todo lugar é lugar de teologia. Eu acho que a teologia tem que inundar a existência humana. A gente tem colocado a teologia como uma coisa meio escondida, uma coisa que é só para o seminário, só para o pastor, para o acadêmico. Se a gente está falando de Deus, falando da fé, falando da Bíblia, isso é teologia”, explica o jovem no vídeo de anúncio do canal.

“E se o YouTube é um meio de comunicação de massa, que chega às pessoas, que é muito mais barato que uma TV. É útil, é prático é rápido, porque não usar esse meio de comunicação para transmitir aquilo que nos aproxima mais de Deus?”, questionou o pastor e teólogo cearense.

 

Vivendo teologia o tempo todo

O pastor de jovens David Mesquita comentou que a teologia deve estar em todos os campos e plataformas, assim como Deus deve estar o tempo todo em nossas vidas. “Eu tenho a impressão de que esse pensamento de ser lugar ou não tem a ver como a gente entende Deus na nossa vida. Será que Deus tem um momento para Ele na nossa vida?”, indaga.

“O YouTube não é um lugar para Deus? Não, a gente não consegue tirar a teologia da nossa vida diária. A gente vive teologia o tempo todo. A nossa vida com Deus é teologia. Então, se eu estou falando no YouTube, eu vou acabar falando de teologia”, disse.

 

Teologia para mulheres?

Isa Martins mantém o programa “Mulheres em Reforma” no canal Dois Dedos de Teologia. Ela comenta que se sentiu impelida de produzir conteúdo para a web ao perceber que há pouca teologia voltada para mulheres na internet. “Infelizmente essa realidade não é só no YouTube. Nós temos poucas mulheres produzindo bom conteúdo teológico”, afirma.

“Existem bons livros teológicos, mas poucos são traduzidos e poucas escritoras brasileiras falando sobre feminilidade numa perspectiva Bíblica, aprofundada nas escrituras mesmo. E diante disso eu vi a necessidade e vi que apesar de eu não saber muito, eu ainda poderia oferecer mais do que o que estava sendo oferecido, porque como foi falado aqui, o YouTube é um lugar de superficialidade e parece que quando o público é feminino, essa superficialidade se torna ainda maior”, ressaltou.

“Parece que mulher só gosta de batom, maquiagem e falar de homem. Mulher precisa de teologia e assim como eu, tem muitas outras mulheres precisando de teologia, precisando de incentivo para ser fortalecida na palavra. Para compreender as questões atuais da feminilidade à luz das escrituras foi que eu me propus de encarar esse desafio com muito medo e temor no coração. Mas sabendo que em Deus, nosso trabalho não é vão e que por mais que seja simples, ainda é muito para muita gente que não tem recebido nada”, concluiu.



Igor Miguel é teólogo, pedagogo e mestre em letras. Ele foi um dos palestrantes da terceira edição do Fórum Nordestino de Cosmovisão Cristã, em Fortaleza (CE). Em entrevista exclusiva para o portal Dois Dedos de Teologia, ele comentou sobre a importância de debater o tema “educação escolar”.

“A gente entende que esse debate é importante, principalmente para cristãos, por algumas razões. A primeira razão é que cristãos precisam ver o que nós chamamos de educação formal, que se expressa particularmente por uma instituição chamada escola. Primeiro como um projeto e um legado protestante. Cristão em termo amplo, mas particularmente protestante”, iniciou.

Igor relembra que a escola é um legado do cristianismo. “O projeto de se criar um espaço em que crianças, inicialmente, fossem introduzidas na realidade cultural e fossem equipadas com formação cultural e formação moral, para se inserirem em determinadas comunidades, isso é um legado do cristianismo”, diz.

 

Projeto de secularização

Para o pedagogo, o atual projeto educacional quer sufocar a expressão religiosa nas escolas. “Outro motivo em que esse debate importante, é que o projeto educacional contemporâneo é um projeto de secularização, de uma educação secular. No sentido de que se propõe em formar pessoas para uma sociedade que não permite expressões cristãs na esfera pública”, alertou.

“Querem restringir a reflexão cristã apenas na esfera privada ou na esfera da experiência religiosa privada. O que é um problema sério, se a gente for pensar em termos do projeto ou da agenda pedagógica contemporânea, principalmente no contexto brasileiro”, ressaltou.

“Então, a gente pensar e refletir sobre a importância da educação confessional, a relação da formação confessional cristã diante dos desafios da sociedade contemporânea. Pensar todos esses campos de reflexão, se é possível uma pedagogia cristã que tem alto compromisso confessional, mas ao mesmo tempo prepara o cristão para a vida social contemporânea e moderna. Essas reflexões e debates são fundamentais para mim. Esse é um tema que tem que estar na pauta, tem que estar no nosso horizonte enquanto comunidade cristã”, finalizou.



Abordando o tema “ensino escolar”, o evento irá refletir e debater assuntos que interessam a família brasileira.

Fortaleza sediará a terceira edição do Fórum Nordestino de Cosmovisão Cristã. Dessa vez, o tema abordado será o ensino escolar, com o título “Quem controla a escola, governa o mundo”. O evento que visa refletir e debater assuntos que competem a família cristã acontecerá entre os dias 17 a 20 de maio no Seminário e Instituto Bíblico Maranata (Sibima).

Além das palestras, o fórum contará com painéis e mesas redondas para debater os assuntos expostos. Serão quase 20 palestras ministradas e os interessados devem realizar suas inscrições pelo site do evento. O acesso para aos quatro dias custa apenas R$ 30 e o pagamento pode ser feito no cartão de crédito ou por meio de boleto bancário.

Para abordar esse assunto tão importante, o fórum contará com nomes de peso, como Miguel Nagib, advogado e procurador de justiça. Ele é o autor do projeto “Escola sem Partido” e fundador do movimento que iniciou em 2004. Miguel vem lutando há anos, defendendo que os pais devem determinar os conteúdos que seus filhos devem aprender.

 

Secularização na educação formal

O teólogo, pedagogo e mestre em letras Igor Miguel também é um dos convidados e irá versar temas como: “Pedagogia Cristã: uma proposta reformacional”, “Inteligências e a Inteligência Cristã” e “Educação virtuosa: igreja, família, escola e sociedade”. Em entrevista para o Dois Dedos de Teologia, Igor falou sobre a importância do tema.

“Esse debate é importante, principalmente para cristãos que precisam ver o que nós chamamos de educação formal. O projeto educacional contemporâneo é um projeto de secularização, de uma educação secular. No sentido de que se propõe em formar pessoas para uma sociedade que não permite expressões cristãs na esfera pública”, ressalta.

O evento também conta com Rodrigo Brotto, Ricardo Marques, Glauco Barreira Magalhães Filho, Valberth Veras, Renata Veras, Phylippe Santos, Ivonete Porto, Roque Albuquerque, Klaynilton Malaquias e Isa Cavalcante.

 

III Fórum Nordestino de Cosmovisão Cristã

Data: 17 a 20 de maio

Local: Seminário e Instituto Bíblico Maranata

Endereço: Rua do Giro, 30 – Parangaba – Fortaleza, Ceará

Inscrição: R$ 30

Site de Inscrição: https://goo.gl/CQGN7o



Apesar de aparentar ter uma vida perfeita, Steve Austin estava desesperado a ponto de tentar tirar a própria vida.

Quem conhece Steve Austin, sabe o quanto ele é alegre e empolgado com seus projetos. Sua vida parecia ir muito bem. Sucesso acadêmico, uma bela esposa e mantinha seu ministério de pregação com uma agenda sempre lotada. Mas por dentro, ele estava desesperado.

O passado do evangelista insistia em incomodar sua mente. Atormentado pela depressão e problemas relacionados com um abuso sexual que sofreu quando criança, Steve chegou ao fundo do poço. Foi por meio de uma overdose que ele tentou se matar. Mas, Deus já sabia que aquele não era o fim para o então pastor.

Hoje, depois de superar essa fase tão difícil, Steve procura ajudar outras pessoas que sofrem com os mesmos problemas. Ele conta sua jornada no livro “From Pastor to a Psych Ward: Recovery from a Suicide Attempt is Possible” [“De pastor a um psicótico: é possível se recuperar de uma tentativa de suicídio”, sem versão no Brasil]. O líder falou sobre sua motivação em escrever a obra durante uma entrevista para o site americano Hello Christian.

“Eu acho que qualquer um que diz que quer se matar, está mentindo. Eu não queria me matar. Eu só queria parar com aquela dor, a paranoia, a depressão, o vício. Se aquelas coisas desaparecessem, eu poderia ser curado”, ressaltou ao ser questionado sobre sua tentativa de suicídio.

“Eu nunca teria considerado a morte. Fui criado em um ambiente cristão em meio a orações de fé e cura, óleo na testa e pessoas caindo no espírito. Mas, nunca me contaram sobre aconselhamento ou terapia. Tomar medicação para isso me faria ser menos cristão. Ou eu era cristão ou eu era ‘louco’. Mas os dois eu não poderia ser”, disse.

“Eu estava fingindo. Fingindo vida, fingindo confiança, fingindo que tudo estava bem. Ninguém conhecia as profundezas do meu desespero. Ninguém suspeitava que aquele líder de jovens da igreja desejava morrer, porque ele estava tão envergonhado de seu próprio abuso sexual na infância. Ninguém sentiu a umidade do meu travesseiro encharcado de lágrimas enquanto eu pedia a Deus, noite após noite, para me curar do meu vício em pornografia”, confessou.

“Eu continuei fingindo que estava bem, até que eu quase morri. Eu permiti que as pessoas observassem apenas o cara que estava sempre na ativa. O bom marido, uma grande personalidade, um cantor. Todo mundo achava que eu estava no topo do mundo. Ninguém sabia que o mundo inteiro estava pesando sobre mim. A vergonha é um silenciador, e eu estava convencido de que ninguém iria entender ou ouvir sobre a minha loucura. Como pastor, eu estava morrendo de medo da minha imagem perfeita ser quebrada”, contou.

 

“Eu não desisti de você”

“Um dia, quando eu estava na UTI, ouvi Deus sussurrar no meu ouvido: ‘Você sabe que eu não desisti de você, não sabe?’. A partir daí, a graça de Deus parecia ser minha melhor amiga. Eu admiti para a minha esposa que precisava de ajuda psiquiátrica e comecei com a terapia e aconselhamento”, disse.

“Nos últimos quatro anos de recuperação, eu aprendi que Deus não é como um ‘Papai Noel celestial’. Deus não está tão preocupado com quem está na ‘lista de perfeição’. A graça não se limita a colares ou cruzes de ouro que ficam pendurados sobre os pescoços de velhinhas. A graça está disponível a cada segundo, de cada minuto, para cada ser humano. Ela quer sarar nossas feridas, curar nossos corações e nos aceitar como somos. A graça mudou a minha vida”, contou.

 

O crente e a ciência

Em seu livro, Steve relata que seus pais se recusaram a visitá-lo no hospital depois que ele tentou tirar a própria vida. “Por que tantas pessoas tem medo de lidar com aqueles que sofrem de doença mental?”, questiona a reportagem do site Hello Christian.

“Eu sou de uma igreja cheia do espírito, onde acreditamos na unção de óleos e orações de fé. Neste meio, a medicação para problemas emocionais não é bem aceita. Eu posso falar sobre o vício, mas se eu falar sobre a medicação para a doença mental, uma equipe de pessoas se prepara para expulsar um demônio”, disse.

“Mesmo bem-intencionados, pastores oferecem uma oração de fé em convite ao altar e vai dizer que Deus pode ‘curar as mentes’ das pessoas com ansiedade e depressão. Mesmo que Deus possa, esse tipo de conversa só nos faz querer fugir de volta para as sombras e desaparecer. A cura soa tão grande, mas as tentativas da Igreja de incentivar a cura, realmente causam uma vergonha ainda maior para uma pessoa que já entende que precisa de tratamento médico”, ressaltou.

“Quero que as pessoas saibam que não há problema em ter algo assim. E que mesmo um pastor como eu, já me encontrei em tempos de desespero, onde eu precisava de algo como um cochilo e medicina forte. Um bom choro e um amigo que pudesse aliviar minha carga por um tempo”, concluiu Steve.



Quando eu era um jovem pastor, estava ansioso para encontrar e replicar modelos de ministério dignos. Fui atraído pelo movimento de crescimento de igrejas. Eu admirava o zelo “ganhador de almas” dos praticantes que aconselhavam jovens pastores como eu a moldar seus cultos de domingo para que o “seeker” [“buscador”, alvo das igrejas seeker-sensitive] não tropece nos obstáculos feitos pelo homem em seu caminho para encontrar Jesus.

Enquanto eu absorvi muitas dessas lições – comunicação clara, excelência ministerial, divulgação na comunidade – comecei a ter algumas dúvidas sobre uma abordagem que molda a reunião de domingo exclusivamente em torno do incrédulo. Eu digo “exclusivamente” porque cada pastor deve ter, em sua mente, a imagem de uma alma perdida quando ele sobe ao púlpito para pregar. Ele não deve assumir que seu público é inteiramente composto de crentes, e sua pregação deve ser clara o suficiente para que o perdido saiba como se arrepender e crer. Paulo aconselhou Timóteo a “fazer o trabalho de um evangelista” depois de tudo (2Tm. 2:5).

Há, no entanto, três questões vitais para perguntar-nos sobre os nossos cultos de adoração.

 

O que está acontecendo nas noites de domingo?

De acordo com a filosofia padrão de crescimento da igreja, o encontro de domingo é a oportunidade privilegiada para convidar amigos e vizinhos incrédulos para ouvir uma apresentação do evangelho. Para tornar o culto atraente, igrejas são encorajadas a eliminar as barreiras que possam ofender aqueles que não são fluentes no vocabulário cristão.

Esta não é uma disciplina totalmente ruim. Afinal, nossas igrejas não devem ser contextualizada à década de 1950 se estamos vivendo em 2016. Devemos vagamente considerar as preferências a fim de alcançar as nossas comunidades para Cristo (1Co 9:19), e devemos sonhar, planejar, traçar estratégias e gastar recursos para alcançar os perdidos.

Mas a atratividade ao perdido deve ser nosso princípio orientador principal nas tardes de domingo? Se assim for, perdemos o propósito distinto para reunirmo-nos com os santos? Esquecemo-nos que nenhuma quantidade de contextualização fará o evangelho inofensivo? Em seu discurso no Cenáculo, Jesus advertiu seus discípulos sobre a natureza contracultural da sua mensagem. E Paulo sabia, mesmo depois de fazer-se “de tudo para com todos”, que o evangelho que ele pregava seria uma pedra de tropeço, em última análise levando-o a prisão e à morte.

Além do mais, em nossa sociedade cada vez mais pluralista, me pergunto se estas metodologias de crescimento da igreja vão se tornar menos eficazes. Estudos indicam que os americanos estão menos inclinados a participar de cultos do que eram em gerações anteriores.

Devemos nos perguntar: Como enxergamos a reunião de domingo? Enxergamos como uma inspiradora palestra do TED com boa música? Ou enxergamos pela forma como o Novo Testamento enxerga, como chamado de Deus para reunir pessoas para adoração e mobilização para a missão? Estilos de música e padrões de pregação irão variar, mas alguns elementos devem permanecer fixos. Paulo instruiu Timóteo, como o pastor da igreja em Éfeso, a “dedicar-se à leitura pública da Escritura, à exortação e ao ensino” (1Tm 4:13). Ele também instruiu a mesma igreja a cantar “salmos, hinos e cânticos espirituais” (Ef 5:19). Nosso Senhor Jesus confiou à igrejas locais os sacramentos do batismo e da ceia do Senhor.

Não devemos estar constrangidos pela linguagem cristã e pelo padrão da reunião domingo. Devemos nos reunir com o objetivo expresso de declarar para o mundo, para nós mesmos e para os poderes cósmicos nossa adoração a Cristo como Rei.

 

Quem está escrevendo a liturgia?

Para alguns evangélicos, a palavra “liturgia” evoca um tradicionalismo abafado em desacordo com a fé genuína em Cristo. Mas cada igreja tem uma liturgia, uma maneira de ordenar o seu culto de adoração. E a liturgia de cada igreja comunica muito sobre o que ela valoriza.

Esta é outra razão para se preocupar com uma abordagem que prioriza a reunião de domingo para pessoas não salvas. Em essência, isso faz do “buscador” não regenerado o líder de adoração encarregado de escrever a liturgia. Alguém que não tenha sido redimido pelo Espírito de Deus está determinando quais práticas e padrões espirituais o corpo de Cristo vai abraçar quando eles se reúnem para adoração.

No ano passado fui a um jogo de futebol americano da faculdade em Nashville com alguns amigos. Fui convidado por um colega que é aluno e grande fã. Ocorreu-me, enquanto eu estava sentado na seção do seu time, que eles realmente não se importaram em como seus rituais particulares me afetaram, como um “de fora”. Eles eram simplesmente orgulhosos de sua equipe e queriam que todos, inclusive eu, a conhecessem. Isto não era ofensivo; era atraente. O que havia sobre sua universidade que tanto motivou-os a perder-se na celebração de um jogo de futebol?

A base de fãs leais abraçou-me, mas não me permitiram determinar sua liturgia de dia do jogo. A banda não tocou música mais receptivas às minhas preferências. As cheeerleaders não criaram uma rotina genérica que eu poderia entender. Os fãs não usaram roupas genéricas para que eu me encaixasse.

A experiência me fez pensar: Por que nossos cultos devem ser diferentes? O buscador que entra pelas portas da nossa igreja deve ser bem-vindo, amado e servido. Devemos trabalhar para declarar o evangelho a ele numa língua que ele compreenda. Mas deixar de lado os padrões do culto cristão comunica um constrangimento sobre o que nós reivindicamos ser mais importante.

 

Qual é a tarefa do pastor?

Nós também devemos perguntar: qual é o papel do pastor? Pedro parece definir isso muito especificamente quando exorta pastores a “pastorear o rebanho de Deus que está entre vós.” Isso tem duas implicações importantes.

Em primeiro lugar, o principal papel do pastor é expor a Palavra de Deus e alimentar o povo de Deus. Podemos realizar essa tarefa pesada, se nossas mensagens são conversas inspiradoras com pouco conteúdo bíblico? As pessoas crescerão na semelhança de Cristo se o buscador estiver escrevendo nossos sermões?

Em segundo lugar, Pedro assume que a audiência primária do pregador são os cristãos. Pastorei alimente o rebanho de Deus que está entre vós. Devemos sempre oferecer oportunidades para o buscador se arrepender e crer, mas o nosso primeiro trabalho é “pregar a Palavra” (2Tm 4:2) para as pessoas que ele soberanamente tem colocado sob nossos cuidados, aqueles pelos quais daremos conta (Hb 13:17).

Isso nos diz sobre como a Grande Comissão é principalmente realizada: através do discipulado do povo de Deus e sua mobilização para a missão evangelística em suas comunidades. Isso não quer dizer que igrejas não devem receber eventos especiais e atraentes ao “seeker” [o que busca]. Mas isso não deve ser o objetivo principal do nosso encontro de domingo. Caso contrário, vamos ter igrejas cheias de pessoas que se alimentam de leite em vez de carne, mal equipadas para evangelizar e incapazes de aplicar o evangelho em meio a mudanças nas correntes culturais.

Em outras palavras, precisamos confiar que a Palavra de Deus, entregue com o poder de Deus, fará o seu trabalho nos corações do povo de Deus, uma vez que reverbera através deles e no mundo de Deus. Lembro-me das palavras de Paulo aos cristãos de Corinto:

“E foi com fraqueza, temor e com muito tremor que estive entre vocês. Minha mensagem e minha pregação não consistiram de palavras persuasivas de sabedoria, mas consistiram de demonstração do poder do Espírito, para que a fé que vocês têm não se baseasse na sabedoria humana, mas no poder de Deus” (1Coríntios 2:3-5)

Original: Don’t Let Non-Christians Write Your Liturgy
Tradução: Pedro Pamplona


Eu dificilmente preciso desperdiçar tinta ou espaço em tais assuntos agora. Todo mundo sabe por experiência pessoal e observação quantos e quão maciço são os problemas. E a vasta maioria dos cristãos estão preocupados o suficiente para querer fazer algo a respeito. Mas o que nós podemos fazer?

 

Sem tecnologia

Existem provavelmente algumas pessoas que ainda estão tentando a abordagem “sem tecnologia”. Eles dizem: “Os perigos são muito grandes; As conseqüências são muito terríveis. Portanto, vamos nos manter separados do mundo, rejeitando a tecnologia. Nós não vamos comprá-la e vamos proibir nossos filhos de usá-la também. ”

Esta abordagem é admirável e compreensível, mas impossível. A tecnologia digital é tão penetrante que tentar evitá-la é como tentar evitar a respiração. E mesmo se tivermos sucesso em evitar a contaminação, nossos filhos certamente não. Eles vão encontrá-la, ou ela vai encontrá-los. Eles então a usarão sem nosso conhecimento e sem qualquer treinamento e ensino – provavelmente o pior de todos os mundos.

 

Mais tecnologia

Outras pessoas tentam a estratégia “mais tecnologia”. Isso é o que eu mais costumava focar, a ideia é que nós usamos a boa tecnologia para derrotar a má tecnologia. Usamos bloqueadores em canais de TV a cabo, criamos senhas e limites de tempo em computadores domésticos, adicionamos aplicativos de rastreamento aos telefones celulares de nossos filhos, instalamos software de responsabilidade em nossos laptops e assim por diante. Todas estas coisas são boas e podem certamente ser partes úteis de um pacote global de cuidar de nós mesmos e de nossos filhos.

Há alguns problemas, porém, se estamos confiando somente na abordagem “mais tecnologia”. A primeira é que nunca podemos obter tecnologia boa suficiente para vencer a má tecnologia. Os adolescentes são especialmente experientes em contornar os controles e encontrar lacunas nos sistemas mais seguros. Claro, podemos retardá-los, podemos tornar mais difícil colocando alguns obstáculos no caminho, mas se eles estão determinados o suficiente vão superá-los. Eles sempre podem encontrar mais tecnologia para vencer o nosso plano de batalha “mais tecnologia”.

Além disso, mesmo se conseguimos proteger seus dispositivos, assim que saem pela porta eles podem acessar tudo o que quiserem em dispositivos de amigos. Ou eles podem simplesmente obter outro dispositivo e escondê-lo de nós. Essa abordagem também tende para o legalismo e prejudica as relações criando uma espécie de cenário “gato e rato”, resultando em suspeita de um lado e segredos no outro. Precisamos de mais do que “mais tecnologia”.

 

Mais teologia

Quanto mais eu lutei com esse problema em minha própria família, mais convencido me tornei de que a resposta final não é “nenhuma tecnologia” ou “mais tecnologia”, mas “mais teologia”. Se quisermos uma visão profunda, duradoura e espiritual precisamos aprender e ensinar verdades profundas, duradouras e espirituais. Boa teologia digital é a resposta à tecnologia digital; As verdades mais antigas são a melhor refutação para os mais novos desafios. Mais Trindade é mais eficaz do que mais tecnologia.

 

Deus é três-em-um

Sério, a Trindade é a solução para a tecnologia? Em parte, sim. As três pessoas da Divindade desfrutam de uma relação perfeita entre si e procuram partilhar esse relacionamento conosco, convidando-nos a essa comunidade sagrada.

As relações do Pai, Filho e Espírito Santo entre si são caracterizadas por amor, confiança, abertura e comunicação. Não é esse o modelo para nossos relacionamentos com nossos filhos, especialmente quando se trata de tecnologia? Não é isso que queremos cultivar e imitar? Quanto mais saudáveis os relacionamentos que temos com nossos filhos mais saudáveis o relacionamento que eles terão com a tecnologia. Relações mais profundas são mais eficazes do que regras mais detalhadas.

Além disso, este três-em-unicidade não é apenas um relacionamento para copiar, mas um relacionamento a ser apreciado. Somos convidados a entrar naquela comunhão, a viver naquela sagrada família. Quanto mais fizermos isso mais a Trindade substituirá a tecnologia ou, pelo menos, mais nossa comunhão com a Trindade regulará a tecnologia para que nossa relação com ela seja mais equilibrada e benéfica.

 

Deus é bom

Às vezes, podemos ver a tecnologia com tal terror que damos a impressão de que tudo é “do diabo”. Não, a tecnologia é um dom maravilhoso de Deus. Somos abençoados por vivermos nesses tempos e nos beneficiarmos tanto do papel da tecnologia em nossas vidas diárias. Quantas vidas foram salvas por telefones celulares? Quantas famílias separadas foram mantidas juntas pelo Skype e pelo FaceTime? Quantos sermões e palestras foram espalhados pelo mundo por ministérios cristãos como o Ligonier? O diabo não criou e inventou tecnologia. Deus fez, como o doador de todo dom bom e perfeito.

Claro, o diabo abusa do dom. Certamente, nós o pervertemos em usos pecaminosos. Mas nada disso muda o fato de que Deus criou os materiais, as forças e os cérebros que produziram tanta tecnologia benéfica. Quanto mais reconhecermos que a tecnologia é um dom de Deus, mais nos aborreceremos de tomar seu dom e usá-lo contra Ele e mais tomaremos esse dom e o usaremos como Ele pretende.

 

Deus é onisciente

Nossos pais ou cônjuges não podem ver tudo ou estar em toda parte. O software da responsabilidade pode ser contornado e nossos parceiros de prestação de contas enganados. Mas não podemos escapar, contornar ou enganar o olho que tudo vê de Deus. Ele vê tudo: cada lugar, cada segundo, cada tela, cada clique, cada toque. Ele tem um relatório diário de todos os sites que visitamos, todas as mensagens que enviamos, todas as contas do Instagram que seguimos. Se realmente soubéssemos que Ele sabe, que diferença isso faria. Quanto mais nos lembrarmos da omnipresença e onisciência de Deus, mais procuraremos usar a tecnologia de maneiras que lhe dê prazer, não de maneira que provoque sua ira. Sim, nosso uso da tecnologia pode agradar a Deus. Ele gosta de ver a verdade em vez de mentira no Facebook, ouvir a verdade fluindo pelo mundo e testemunhar nosso testemunho on-line aos incrédulos.

 

Deus é juiz

O conhecimento de Deus sobre nós não está sendo arquivado em algum gabinete empoeirado ou servidor distante que um dia será perdido ou apagado. Não, como Juiz Ele um dia nos chamará para prestar contas, não apenas por cada palavra inútil, mas por cada clique inútil e idólatra, por cada segundo gasto em desperdício de tempo sem sentido. Podemos silenciar nosso juiz interno, nossa consciência; Podemos ser mais espertos que nossos juízes terrestres, nossos pais e nossos parceiros de prestação de contas; Mas nunca escaparemos do julgamento de Deus.

Certamente, a graça de Deus em Cristo cobre todos os pecados; Nenhum crente verdadeiro em Jesus jamais se afastará dele sua justiça imputada a nós nos garante o paraíso. No entanto, sabemos que naquele último dia, Deus pesará as obras dos cristãos. Nós estaremos diante do grande Juiz, que não enfrentaremos como nosso condenador, mas como nosso avaliador que julgará o que fizemos e concederá a seu povo recompensas menores e maiores de acordo com sua obediência. Deixe o sábio julgamento de Deus ajudá-lo a fazer julgamentos sábios em seu uso da tecnologia.

 

Deus é salvador

Às vezes a culpa para o pecado; Nossas consciências nos dão dor e nos advertem a mudar nossos caminhos. Mais frequentemente, a culpa multiplica o pecado; Deixa-nos sem esperança e desesperados. Nós pecamos mais uma vez com o nosso telefone celular, falhamos mais uma vez com nosso iPad. Sentimo-nos tão condenados que perguntamos: qual é a razão em tentar mais? Nós pecamos tanto, então que mal fará outro pecado?

A culpa também multiplica o pecado criando distância entre nós e Deus. Ela nos aliena e nos separa de Deus, tornando o pecado muito mais fácil. É por isso que precisamos ouvir mais sobre salvação, graça e perdão. Nada elimina o pecado como o perdão do pecado porque ele não só elimina a culpa, mas também multiplica o amor pelo perdão. Quanto mais pudermos abraçar o perdão divino, quanto mais abraçarmos o Perdoador, mais amor por Cristo desfrutaremos.

 

Deus é poderoso

Às vezes, podemos sentir vontade de desistir da batalha contra os perigos da tecnologia. Olhamos para as forças alinhadas contra nós e nossos filhos e perguntamos, “Qual é o ponto quando eu sou contra tanto?”

Você está certo; As forças são demais e muito poderosas. Contudo, maior é Aquele que está conosco do que aquele que está com eles. Com Deus, todas as coisas são possíveis, e Ele gosta de demonstrar sua possibilidade – especialmente na nossa impossibilidade. Seu poder é especialmente manifesto em nossa fraqueza. Quando sentimos e confessamos nossa impotência é quando Ele se move com seu poder todo-poderoso. Ele pode manter a nós e a nossos filhos seguros. Ele é capaz e poderoso para salvar. Ele também pode dar a nós e a todos os nossos filhos o Espírito Santo para resistir à tentação e fazer o que é certo e bom. Seu Espírito é muito mais influente do que o espírito da época.

 

Deus é sábio

Às vezes, podemos ser tentados a pensar que Deus não previu esse enorme desafio moral e espiritual, que Ele não o antecipou, e, portanto, Ele não forneceu nada em Sua Palavra para nos ajudar. Afinal, a Bíblia foi escrita há milhares de anos. O que a idade do papiro pode dizer para a era digital? Felizmente, Deus previu, Ele antecipou, e Ele colocou verdade suficiente na Bíblia para nos guiar através deste campo minado. Muitos versículos do Novo Testamento sobre ética cristã podem ser aplicados à tecnologia, mas eu achei o livro de Provérbios especialmente útil como uma fonte de sabedoria divina para a era digital. Por que não ler isso enquanto pedimos a Deus luz sobre como aplicar estes antigos princípios de sabedoria aos tempos modernos? Deus é mais sábio do que os sábios técnicos da tecnologia e antecipou todo o desenvolvimento na tecnologia até o fim dos tempos. Nunca chegaremos a um dia em que digamos: “Bem, a Bíblia se esgotou da verdade”.

Eu só arranhei a superfície, mas espero que você esteja convencido de que a resposta final para a tecnologia digital é a teologia digital.

Original: Three Approaches to Technology
Tradução: Pedro Pamplona


O mundo pode ser realmente confuso para os adolescentes. Estamos nos aproximando de um cenário de mudança moral, onde os desafios mais urgentes e críticas mais altas da cultura estão sempre mudando e perpetuamente em conflito. Vemos escândalos e comentários, Trump e o terrorismo, nova ética sexual e tensões raciais duras, e nós queremos saber: como vamos pensar sobre tudo isso?

A sociedade secular joga suas próprias respostas em nosso caminho, mas elas nunca são compatíveis com uma cosmovisão cristã. Eu vejo uma ferramenta melhor para atender às questões dos adolescentes seguidores de Jesus como eu: teologia.

 

Por que teologia para adolescentes?

Tenho certeza que você sabe o que a teologia é. Mas às vezes as pessoas têm essas concepções variadas e experimentais do significados de um palavra que obscurece sua definição simples. Eu quero que você saiba que eu estou falando sobre a definição mais clara da teologia que existe: o estudo de Deus.

Como uma adolescentes seguidora de Jesus, eu acredito que estudar o caráter de Deus é o que os adolescentes precisam, a fim de enfrentarem nosso mundo terrivelmente complicado. É o que nos dará esperança duradoura para enfrentar o nosso futuro com um firme compromisso com a verdade de Deus.

Deixe-me explicar como a teologia responde às nossas maiores questões e satisfaz as nossas maiores necessidades. Claro, isso é apenas um breve começo, mas nos permite começar.

 

Estudar a justiça de Deus nos equipa para fazer o que é certo

Na Palavra de Deus, descobrimos que Deus odeia o mal (Zacarias 8:16-17) e ama a verdade. Ele se preocupa com os oprimidos e marginalizados e valoriza toda a vida.

Conhecer esse caráter de Deus dá aos adolescentes o direcionamento para se preocuparem com a justiça também. Ele nos impulsiona a levantar-se pelos oprimidos e sem voz e falar contra a injustiça que vemos. Ele nos mostra a importância de se submeter as autoridades dadas por Deus – nossos pais, pastores, professores e o governo. E isso alimenta a nossa obediência à Palavra de Deus como o padrão último da justiça.

 

Estudar o amor de Deus nos dá fundamento para todos os nossos relacionamentos

Deus ama o seu povo incondicionalmente (Neemias 1:5; João 16:27). Ele não mostra favoritismo e seu amor nunca é egoísta. Também não pode ser parado ou esgotado, pois é não meritório e imerecido.

Conhecer esse caráter de Deus compele adolescentes a amar os outros por causa do amor de Deus por nós. Ele nos compele a amar aqueles que são mais difíceis de amar (em todo o caminho, desde o ISIS até os valentões na escola) enquanto continuamos odiando nosso próprio pecado. Ele nos obriga a lutar contra o racismo, o sexismo e qualquer outro ismo que mina o valor inerente de cada ser humano. Ele nos obriga a abraçar a compaixão e misericórdia.

 

Estudar a santidade de Deus revela quem somos e qual o nosso propósito

Uma vez que ele é supremamente perfeito e totalmente definido para além de nós (2Samuel 22:31), Deus odeia o pecado (Amós 6: 8). Compreender a beleza da sua santidade ajuda os adolescentes a entender o nosso próprio pecado e a necessidade de persistentemente guerrear contra ele. Isso nos dá uma perspectiva mais bíblica e realista do mundo. Leva-nos a arrepender-se do pecado em nossas próprias vidas e buscar a uma prestação de contas com os mais velhos e mais sábios. Isso demonstra para nós como perseguir ativamente a santidade – nas mídia sociais, na escola, no trabalho, com os pais, amigos e em todas as esferas da vida.

 

Estudar a soberania de Deus nos dá respostas em meio a confusão cultural

Deus não é caótico, caprichoso, ou imprevisível; ele está no controle perfeito do universo (Atos 2:23). Conhecer esse atributo de Deus guarda adolescentes do crescimento desanimado no mundo. Quando a política parece sem esperança, terroristas atacam ou tiramos uma nota injusta, os adolescentes podem se contentar em nossas circunstâncias porque Deus reina. Quando perguntamos “Por que isso está acontecendo comigo?” Ou “Será que Deus sequer se preocupam com a minha vida?” Sua soberania é a nossa resposta. C. S. Lewis explicou bem este ponto:

“Eu sei agora, Senhor, porque você não profere nenhuma resposta. Tu mesmo é a resposta. Diante do teu rosto perguntas desaparecem. Que outra resposta seria suficiente?”

 

Estudar a bondade de Deus nos dá conforto em nossa dor

Deus não é mesquinho. Ele não é um estraga prazeres brincando com nossas vidas como um jogo de tabuleiro cruel (Marcos 10:18). Ele é completamente bom, infalivelmente amável e sempre fazendo o que é certo e melhor para nós.

Conhecer esse caráter de Deus dá aos adolescentes uma base sólida de fé em meio ao sofrimento. Os adolescentes podem ter paz sobre nossos futuros desconhecidos. Podemos ter certeza da nossa salvação e combater as pressões da dúvida. Podemos confiar em Deus nas dificuldades cotidianas, problemas e fracassos da vida com a certeza inabalável de sua bondade.

 

Ensina-nos o que precisamos

Eu tenho 18 anos. Estudei e fui ensinada teologia toda a minha vida. Ela me deu muitas coisas: um relacionamento mais rico com Deus; uma relação mais forte e mais submissa com os meus pais; uma relação mais exigente com os meus amigos; uma abordagem mais edificante aos meios de comunicação social; um desejo zeloso fazer o meu melhor na escola; uma cosmovisão bíblica; uma visão maior para o meu futuro; e uma paixão maior para seguir a Deus independente de qualquer coisa.

Eu quero essa vida para cada adolescente, e eu acho que você também. Assim, pais, pastores, líderes de jovens, membros da igreja, por favor, nos ensinem teologia. Mais do que tudo, precisamos conhecer a Deus. Ele é a resposta para nossas perguntas, a solução para os nossos problemas e o único digno de nossa adoração e confiança.

Nós precisamos dele, o que significa que precisamos ser ensinados sobre ele. O que significa que precisamos de teologia.

Jaquelle Crowe é editora-chefe da The Rebelution e a autora de This Changes Everything: How the Gospel Transforms the Teen Years (Crossway, 2017).

Original: 5 Reasons Why Teenagers Need Theology
Tradução: Pedro Pamplona