Com o avanço da religião evangélica pelos quatro cantos da nação, é comum encontrarmos um sem número de jeitos de ser e pensar a igreja — litúrgica, estética e operacionalmente.

Ocorre que infelizmente, com o desprezo da Escritura Sagrada como fonte primaz de autoridade sobre os cristãos, muitos destes caminhos eclesiásticos adotados são dúbios, frouxos, confusos, e mais prejudicam do que edificam, mais confundem do que esclarecem.

É possível que encontremos hoje, vários grupos — principalmente de jovens — bem mais interessados no formato do que estão engajados, do que com o conteúdo propriamente dito do que estão consumindo e compartilhando.

Isto caracteriza um exercício oco de fé cristã. Um exercício morto, disfuncional, preocupado exacerbadamente com coisas periféricas e cosméticas que não podem gerar vida por si mesmas, que envolvem e entretém por algum tempo, mas rapidamente passam. Não geram transformação real, confissão de pecados, arrependimento, altruísmo, maturidade cristã e uma nova cosmovisão.

Eu já quis muito que a igreja fosse “cool”, tivesse um ambiente agradável, fosse descolada, contextualizada, tivesse um som bom, um belo palco, iluminação, uma galera com “mente aberta”, um layout moderno, uma banda sincronizada e uma mensagem que não abusasse tanto do evangeliquês. Entretanto, eu ligava muito pouco para Palavra que era pregada do alto do púlpito da minha comunidade.

Sabe aquele tipo que toca na banda e se acha importante demais para sentar-se humilde e atentamente no banco da igreja a fim de ouvir a pregação do pastor após o período de louvor? Este era eu.

Hoje continuo apreciando todas estas coisas que compõem as questões estéticas e operacionais da igreja, mas com uma diferença vital: se a igreja não for moderninha, se tiver um somzinho sofrível e uma banda de um moço só no violão, e nem palco tiver, se o povo for simples de tudo e mal souber falar o evangeliquês, mas a verdade do Evangelho for pregada fervorosamente e prezada seriamente pela congregação, ali estará um facho de luz radiante da glória da graça de Deus, que jamais deverá ser diminuído, substituído ou almejado menos do que todas estas outras coisas. Sem elas a igreja vive, sem o Evangelho a igreja morre.

Percebam que não existem problemas com a busca por excelência estética, funcional e operacional, muito ao contrário, o problema é idolatrá-las, é querê-las mais do que o fundamento da fé cristã, é preza-las mais do que o próprio Evangelho. O problema é deixar-se entreter tanto por todas estas outras coisas e nem ao menos perceber que o poder de Deus que reside em Seu Evangelho está, inacreditavelmente, sendo prescindido das preocupações centrais da missão da igreja com a qual devemos estar fundamentalmente comprometidos.

Ansiar mais por todas estas coisas mas esquecer o Evangelho é um caminho perigosíssimo, que engana, distorce, inebria e dá a falsa impressão de engajamento e comunhão, quando na verdade, toda fonte de sustentação e poder real para a vida do seguidor de Jesus está sendo suprimida, negando a este uma transformação real, duradoura, consistente e, sobretudo, bíblica.

Minha oração é para que o Espírito Santo dê-nos discernimento para uma atuação e um engajamento bíblico em Sua igreja. Que Ele nos ajude a manter a essência da glória do Evangelho protegida e sempre presente como fundamento de cada ação que realizarmos, e que seja o poder de Deus contido neste Evangelho que nos leve a trabalhar em todas as outras áreas da vida da igreja, a fim de que Cristo e Sua mensagem revelada jamais deixem de ser o centro de tudo que pregamos e fazemos.

Lucas Freitas é plantador da Igreja Presbiteriana do Brasil na cidade de Cunha/SP, é bacharel em teologia pela FUNVIC – Fundação Universitária Vida Cristã em Pindamonhangaba/SP, é formado no SEDEC – Seminário de Desenvolvimento Comunitário pelo CADI Brasil, na Escola Compacta pela Missão Steiger Brasil e no CTM Centro de Treinamento Missionário da Igreja Presbiteriana do Brasil.


Uma das maiores pautas do feminismo na atualidade é o empoderamento feminino. Todas as atrocidades defendidas por esse movimento tais como o aborto, o abandono dos lares e a depravação dos corpos são realizadas em busca e em defesa desse tal empoderamento. Mas o que a maioria das mulheres que se deixa enganar pelas pautas feministas não consegue compreender, é que o verdadeiro empoderamento só pode ser conquistado e garantido por alguém que, de fato, tenha poder para transformar a realidade de homens e mulheres caídos e depravados.

Só Deus, por meio de sua graça, pode transformar mulheres e capacitá-las para realizar sua boa, agradável e perfeita vontade. Só a graça divina pode nos tirar de nosso total estado de rebeldia e pecado e nos conceder uma vida de obediência e santidade. O verdadeiro empoderamento feminino foi conquistado por Cristo na cruz. Foi lá, através de seu sacrifício, que o Salvador levou sobre si nossas culpas e dores. E ao tomar o cálice da ira de Deus por causa da nossa desgraça, Cristo nos tornou empoderadas por sua graça.

Mulheres empoderadas pela graça encontram forças em Cristo para rejeitar as ideologias mundanas e viver segundo as Escrituras.

Mulheres empoderadas pela graça são livres para desfrutar a alegria e o prazer de seus lares. São plenamente capazes de gerar e cuidar de muitos filhos ao lado do homem a quem escolheram amar e auxilar. Não são escravas do próprio corpo e dos desejos, mas vivem satisfeitas em Cristo e são totalmente preenchidas e saciadas por sua glória.

Mulheres empoderadas pela graça são fortes na luta contra o pecado e firmes na defesa do Evangelho. Compreendem que sua força vem do Senhor e que estando protegidas e amparadas por suas fortes mãos jamais serão abaladas.

Mulheres empoderadas pela graça estão plenamente conscientes do seu valor, sabendo que na cruz, Cristo lhes garantiu dignidade, equidade e liberdade que nenhum movimento político seria capaz de lhes conceder.Se você deseja ser livre, feliz e empoderada de verdade, pare de lutar sozinha, busque aquele que tem todo o poder, domínio e autoridade sobre céus e terra, o único capaz de nos libertar não só das opressões terrenas como o machismo e a misoginia, mas das algemas da morte e do pecado, Cristo Jesus. Somente ele através de sua graça pode nos emancipar para vivermos eternamente livres, realizadas e satisfeitas ao seu lado em sua glória.

O feminismo só te concede o direito de ser quem você sempre foi: pecadora, rebelde e morta em seus próprios delitos e pecados. Mas a graça de Cristo é poderosa para lhe transformar em uma mulher santa e vitoriosa, uma mulher verdadeiramente empoderada.

“E Deus é poderoso para fazer que toda a graça lhes seja acrescentada, para que em todas as coisas, em todo o tempo, tendo tudo o que é necessário, vocês transbordem em toda boa obra.” (2 Coríntios 9:8)

Feliz dia da mulher!

Isa Martins é graduada em Ciências Sociais e Mestre em Educação pela Universidade Federal do Ceará. Esposa de pastor, casada com Yago Martins e congrega na Igreja Batista Maanaim. 



Nós brasileiros, temos sido ensinados ao longo das últimas décadas, a olhar nosso trabalho por duas grandes perspectivas: a financeira e a hedonista. Geralmente, pensamos a escolha da carreira profissional sobre bases bastante pragmáticas, ou seja, o que acaba sempre tendo maior preponderância é o dinheiro que vamos ganhar ou o prazer que vamos sentir ao desenvolvermos esta ou aquela atividade.

Mas há algo de grande valor do qual, predominantemente, prescindimos em nossas escolhas. Há algo anterior ao dinheiro e ao prazer que deveria balizar nossas opções, a fim de que trilhássemos caminhos de vida coerentes e equilibrados com aquilo que verdadeiramente somos, e não que vivêssemos escravizados a ídolos perversos como o materialismo, o dinheirismo, o hedonismo e tantos outros. O que tem nos faltado, então, é um senso apurado do que é vocação.

Disfunções de um protestantismo sem lastro

Curiosamente, o Brasil é hoje uma das 10 maiores nações protestantes do mundo em números totais, são cerca de 43 milhões de brasileiros que se identificam como cristãos protestantes. Todavia, ainda que tão representativos numericamente, nós, protestantes brasileiros, somos parte da realidade de uma das nações mais corruptas, subdesenvolvidas, mal-educadas e desiguais em todo planeta.

Isso, necessariamente, faz pulular nas mentes protestantes mais inquietas uma pergunta: por que nossa fé, tão influente historicamente em inúmeros países que colhem frutos disso até hoje, não tem efeitos positivos e transformadores visíveis nestas realidades tão sombrias do nosso país? Por que somos tantos, em tantos lugares, e ao mesmo tempo nossa nação continua mergulhada neste lamaçal de ignorância e privações das mais variadas e destrutivas, sem a mínima perspectiva de mudanças verdadeiramente significativas?

Respondo-lhes com raro senso de certeza absoluta: falta-nos o ensino da teologia da vocação, feito de forma bem estruturada e constante, tanto dentro de nossos lares, como dentro de nossas igrejas!

Foi o professor brasileiro Olavo de Carvalho – católico romano até a medula – que numa de suas infinitas concatenações, chamava a atenção dos protestantes brasileiros a que deixassem de ser preguiçosos e ignorantes, e se dessem, no mínimo, ao trabalho de conhecer a teologia da vocação ensinada por Lutero, algo que certamente poderia auxiliar a população brasileira em seu desenvolvimento em múltiplos sentidos.

Assertivas como estas, advindas de pessoas de fora do nosso arraial evangélico, deveriam no mínimo nos fazer corar de vergonha, pois desvendam a triste realidade de que temos em mãos a teologia da vocação mais linda e eficaz da história, mas que, infelizmente, não é valorizada, tampouco conhecida, e muito menos ensinada à esmagadora maioria dos cristãos evangélicos brasileiros. Isto precisa mudar!

Um chamado para toda a vida

Vocação vem do latim ‘vocare’, que significa chamar. Para o cristão, este chamado vem de ninguém mais, ninguém menos, do que do próprio Deus, que o capacita e o comissiona a alguma missão específica no mundo. Esta capacitação geralmente é um dom, um talento, uma facilidade, uma habilidade, uma sensibilidade, um incômodo, uma revolta, uma inconformidade com algo, ou uma combinação de vários destes aspectos, que o estimulará a trabalhar, labutar e entregar, se preciso for, a própria vida àquela determinada causa.

Vocação diz respeito a algo muito mais profundo e significativo do que a mera busca passageira por sensações, dinheiro e prazer, antes, a ideia de vocação dialoga com a ideia de sentido da vida. Aquela razão última pela qual você existe, aquela missão única que foi entregue a você e a mais ninguém, que lhe desperta um senso de responsabilidade tamanho, como que o de prestar um fundamental trabalho ao próprio Deus.

Quem descobre seu chamado de vida, supera os momentos em que o cumprimento deste chamado não está rendendo tanto dinheiro assim, ou não está trazendo tantos momentos prazerosos como esperado. Essa superação ocorre, pois o vocacionado conhece quem o vocacionou e sabe que sua missão última está longe de idolatrar dinheiro e prazeres como deuses usurpadores, mas em glorificar, obedecer e adorar o Único que deve ser glorificado, obedecido e adorado.

O chamado é para todos

Todavia, não devemos confundir ou restringir a vocação à atividades megalomaníacas, grandiosas, estruturais, ou com alta visibilidade. Nada mais distante da vocação cristã do que isso. Existem os chamados às missões com estes perfis? Claro. Mas não são todos, e nem são a maioria.

A beleza da teologia da vocação desenvolvida a partir da Reforma, é o resgate do valor que Deus confere à todas as atividades da vida, desde as mais suntuosas até as aparentemente mais desimportantes e simples. Não existe mais aquela ideia dividida de mundo, onde determinadas atividades e lugares – como cultos e ritos religiosos, templos ou mosteiros – são mais importantes para Deus. A ideia dos reformadores é de que para o cristão não existe mais vida secular. Ou a vida pertence totalmente a Deus, ou Deus de fato não é Senhor sobre toda a vida.

Deus é Senhor e dono de todas as coisas, e como tal, se interessa de forma absoluta tanto com o que acontece nas altas cortes governamentais das nações e nas altas cúpulas das lideranças eclesiásticas que pastoreiam Seu povo, como com o trabalho que um gari está desenvolvendo no quarteirão que está sob sua responsabilidade. Diante de Deus, todos os ofícios possuem valor, importância e beleza intrínsecos, e tanto o político, o ministro ou o gari prestarão contas do trabalho que fizerem, pois, em última instância, estão prestando um serviço primeiro a Deus, depois aos homens.

Este senso de vocação, certamente transformaria sensivelmente a forma das pessoas pensarem a escolha de uma profissão. Apenas como exercício hipotético, imaginem só uma nação inteira operando nestas bases, ou então, apenas os mais de 40 milhões de cristãos protestantes vivendo fielmente a partir destes princípios. Ou seja, que cada um de nós está cumprindo uma missão designada pelo próprio Deus, que deve ser encarada com alegria e esperança, na certeza de que somos privilegiados cooperadores dEle na construção de uma nova realidade, que aponta para a consumação de Seu Reino entre nós. Isto, inequívoca e naturalmente, faria com que nos tornássemos um país menos corrupto, menos desigual, mais bem educado, mais organizado, mais seguro, mais justo e até mesmo, mais rico.

É tempo de pensarmos nossa vocação em oração diante do Senhor. Se, porventura, você ainda não tem certeza, ou sequer, ideia do que foi chamado por Deus para fazer, precisa voltar sua atenção seriamente para isso. Precisa olhar seriamente para si mesmo e buscar identificar quais são seus dons e habilidades, perceber onde você sente-se útil, o que te comove, te indigna, te inspira, te impulsiona, enfim, precisamos tomar alguma atitude na direção de iluminarmos este caminho.

Todavia, ainda que você não tenha certeza absoluta de seu chamado vocacional, não se desespere. Mantenha-se em oração e sensível à realidade ao seu redor, e lembre-se de que certo ou não de sua vocação, é nosso dever honrar a Deus onde Ele nos plantou, aqui e agora. Não temos de esperar uma certeza vocacional inquestionável para, então, encararmos a vida como tendo de ser vivida na sua totalidade para a glória de Deus.

Se você ainda não está no trabalho que considera ideal, não importa, encare-o como um passo, como parte do caminho do seu objetivo, e cumpra-o da melhor forma possível, pois foi ali que Deus te colocou, e, pelo menos por hora, é ali que você deve honrá-lO. Talvez Ele esteja te presenteando com uma grande oportunidade de amadurecimento, crescimento e poder de adaptação, que você jamais teria se não estivesse exatamente onde está.

O chamado gera esperança inigualável

Não existe fórmula mais poderosa para subverter, ou pelo menos aplacar o avanço do caos no mundo, do que um ser humano consciente de sua vocação diante de Deus. Não existe empreendimento mais certo para promoção do bem e da justiça do que homens e mulheres cônscios de suas responsabilidades individuais e vocacionais perante o Senhor, e que, com base nesta ética, educam seus filhos e os filhos de seus filhos.

É a partir desta perspectiva, que não rouba de Deus seu lugar de Senhor e Redentor da história, que devem emergir todas as iniciativas de promoção de paz, educação, beleza, justiça, saúde, fraternidade, equidade, bem-estar e alegria no mundo.

Minha expectativa é de que deixemos para trás dois dos grandes ídolos do mundo moderno – dinheiro e prazer –, e compreendamos a relevância intrínseca e histórica de nossa fé, para que assim, passemos a ensinar, contínua e convictamente, nossos filhos, netos, e irmãos em Cristo, como a nossa vocação diante do Senhor, constitui um dos verdadeiros e mais frutíferos pilares da vida de alguém que se confessa um seguidor de Jesus, aqui e agora.

Que Deus nos alcance!

Lucas Freitas é plantador da Igreja Presbiteriana do Brasil na cidade de Cunha/SP, é bacharel em teologia pela FUNVIC – Fundação Universitária Vida Cristã em Pindamonhangaba/SP, é formado no SEDEC – Seminário de Desenvolvimento Comunitário pelo CADI Brasil, na Escola Compacta pela Missão Steiger Brasil e no CTM Centro de Treinamento Missionário da Igreja Presbiteriana do Brasil.

 



Uma estranha firmeza de alma ante o perigo e misturada numa perseverança rumo a um objetivo é o que comumente chamamos de “coragem”. Uma palavra latina cuja raiz é a mesma da palavra “coração”, isso porque em épocas remotas, acreditava-se que o coração era o órgão responsável por desenvolver este sentimento heroico.

Eu peço licença aos meus amigos e amigas leitores/as para afirmar que em se tratando de tipos de coragem, se é que podemos fazer tal separação, existe uma a qual a profundidade é desenvolvida em graus mais extremos, a saber, a coragem feminina.

Ao nos depararmos com a narrativa do nascimento do grande líder Moisés, encontrada no livro de Êxodo, podemos perceber que o seu nascimento, e, consequentemente sua vida de liderança, só se tornou viável pela coragem feminina, ou seja, pela dedicação e perseverança de mulheres que tomaram decisões difíceis frente a determinadas situações de perigo e ameaças reais.

No livro de Êxodo em seu primeiro capítulo, o rei do Egito é claríssimo em ordenar as parteiras Sifrá e Puá que matassem todos os bebês recém-nascidos do sexo masculino. Trata-se, portanto, de uma ordem de morte, provinda do Estado, agressiva e mortal, a saber: o infanticídio. Então duas mulheres, as principais administradoras de uma espécie de organização de parteiras, se veem diante de um dilema ético.

É incrivelmente empolgante perceber que elas decidem desobedecer uma ordem do governo para assumir o preço da liberdade ética da escolha. Mas o que estava por trás de tudo isso? A coragem feminina!

A coragem de olhares delicados, de uma profissão intrinsecamente ligada a outras mulheres que geravam vidas, mulheres que estavam diariamente diante da essência da vida. E é exatamente esta coragem única, a coragem feminina, que desperta em Sifrá e Puá a certeza de que naquele momento elas precisavam agir em desobediência ao rei do Egito.

É sobre essa coragem que te convido a refletir, uma coragem fundamentada no temor a Deus, o que significa estar enraizada no Deus da Vida, no Eterno Criador, Aquele que vocacionou essas mulheres a participarem e auxiliarem nos momentos onde a vida é revelada e não para serem agentes de um crime de infanticídio.

O que percebemos é que no coração destas mulheres estava um princípio simples e profundo, elas eram sujeitas ao governo do Egito, mas antes disso elas temiam o Eterno! Temor a Deus é o princípio de vida para estas heroínas e assim, ao desobedecerem o comando do rei do Egito, elas deixaram viver os meninos.

Todo ato de desobediência civil, obviamente, é questionado pelo Estado e no caso delas não foi diferente, ao serem questionadas pelo rei do Egito, tais mulheres mantiveram a coragem e posicionamento.

A beleza de toda essa narrativa é que o Eterno derramou a sua bondade sobre as parteiras Sifrá e Puá, e então, a coragem feminina fundamentada no temor a Deus colheu bênçãos e frutos na vida destas duas mulheres.

Olhar com atenção para esta narrativa nos faz refletir que por trás do grande líder Moisés, existem figuras femininas fundamentais que se estivessem ausentes, sua vida não teria sucesso algum, podemos até dizer que nem uma brevíssima duração.

A coragem feminina se revela na vida de toda mulher. A coragem da mãe de Moisés que desafia a lei daquele governo a fim de manter seu filho vivo; também se revela na filha do faraó que recebe o bebê e cuida como se seu filho fosse, sabendo que era um Hebreu, também desafia seu próprio pai; a coragem feminina também está na irmã de Moisés, Miriã, que vigia o bebê flutuando no cesto do rio. Porém toda essa sequencia de heroínas parte de Sifrá e Puá, as quais desafiam a ordem do rei do Egito se recusando a matar os meninos hebreus.

O que podemos aprender com tudo isso? Que talvez, nós homens não tenhamos a profundidade deste tipo de coragem a qual eu, particularmente, chamo de “coragem feminina”; trata-se de um olhar feminino para a vida e que através desse poder e perseverança, tais mulheres formaram e ainda formam grandes homens e grandes líderes; e por fim, que a bondade de Deus sempre é derramada sobre a vida de mulheres corajosas que, diante de desafios, dores e sofrimentos, nunca desistem.

Creio ser válido deixar um lembrete especial a nós homens: que possamos ler as narrativas da Bíblia e da vida com honestidade, louvando a Deus pelas heroínas cristãs as quais abençoam e edificam nossas vidas com um tipo de coragem exclusiva e profunda reservada apenas a elas.

E que o Eterno nos abençoe na mais absoluta certeza de que em Cristo Jesus todas as coisas ficarão bem.

Lacy Campos é casado com Junia e pai da Bella Hadassa, pastor na Igreja Presbiteriana de Leme/SP; graduado em Direito; Bacharel em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul; Mestrando em Ciências da Religião na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Um discípulo trilhando a jornada espiritual e que acredita que, em Cristo Jesus, todas as coisas ficarão bem.


A pergunta que é o fio condutor desta breve reflexão é a seguinte: o que me faz querer estar em um relacionamento com Deus e engajado em Seu Reino? Explico: quais são os motivos reais que me levam a querer estar em uma igreja, trabalhando em algum ministério local, liderando algum grupo pequeno, tocando, cantando, dando aulas, pregando? O que me leva a estar numa missão cristã? O que me faz apoiar a plantação de uma nova igreja? Enfim, dentro de um imenso leque de atividades realizadas pelas igrejas locais atualmente, qual a verdadeira razão que nos impulsiona a estarmos envolvidos em alguma destas atividades?

Conversão genuína ou adesão egoísta?

É muito comum encontrarmos igrejas que para segurarem as pessoas em seus arraiais, acabam de forma, por vezes, inocente, por vezes, irresponsável, dando a estas pessoas diversas atividades e responsabilidades a serem cumpridas, quando, na verdade, o que elas mais precisam é de acolhimento, cuidado e discipulado, pois mal chegaram ao ambiente da igreja e pouco ou nada sabem ainda sobre a fé cristã e suas implicações.

Notem por exemplo, o famoso movimento religioso de igreja em células, que apesar de bastante diversificado, em linhas gerais, valoriza demasiadamente a velocidade do crescimento da igreja e estipula metas a serem batidas por seus líderes, adotando uma metodologia quase como se a igreja fosse um tipo de indústria da salvação. Existe ainda, uma grande pressão para que os liderados se tornem líderes, e multipliquem o trabalho, gerem “filhos na fé” e cooperem para a “expansão do Reino de Deus”.

Isso pode comprometer gravemente a qualidade daquilo que se é ensinado, pois é muito provável que o processo de formação de líderes e multiplicadores não seja o adequado. Muitas vezes a pressão é tão grande que os envolvidos com o trabalho precisam estar na igreja quase que a semana toda e muitos deles ainda não estão preparados para isso, aliás, acredito que nem deveriam estar preparados para isso.

Abordagens com estas por parte da igreja, certamente serão nocivas para a vida dos envolvidos, pois não representam sob hipótese alguma a cosmovisão bíblica de discipulado e vida cristã no mundo criado por Deus. Nestes tempos em que cada vez mais raros são os momentos onde podemos desfrutar de um pouco de paz, descanso e tempo de qualidade com a família e com os amigos, a escolha da igreja de sobrecarregar sua membresia em trabalhos exaustivos intramuros, definitivamente, não é a melhor opção.

Existe nestes tipos de movimentos certa medida descabida de empreendedorismo mercadológico, que não está de acordo com a ideia de que salvação não é algo provocado por homens e seus sistemas, mas que é pela graça mediante a fé, e em última instância, diz respeito à ação do Espírito Santo que sopra onde quer e convence quem quer e quando quer, do pecado, da justiça e do juízo.

Percebendo a amplitude do chamado

Outra dificuldade é a promoção do conceito de missão cristã ou do chamado do Senhor restritos apenas aos limites das quatro paredes da igreja. Quase não se ensina sobre o senhorio de Cristo sobre todas as atividades da vida. A membresia da igreja acaba envolvida em tantas atividades intramuros que, muitas vezes, fica sem forças e sem tempo para enxergar, discernir e exercer sua vocação no mundo para glória de Deus.

Claro que não seria sábio generalizar, existem trabalhos nos lares que são desenvolvidos de forma saudável e piedosa, transformando-se assim, em grandes ferramentas de apoio para o povo de Deus e a igreja local, entretanto, acredito que todos os pontos levantados acima merecem atenção e reflexão de nossa parte.

Engajamento nocivo e desequilibrado

Mas as dificuldades não param por aí. Muitas são as pessoas que acabam sendo inseridas em outros contextos da igreja, como por exemplo, os contextos musicais, infantis, artísticos e outros mais, sem que saibam absolutamente nada do evangelho, sem que saibam a razão da esperança que têm, e após serem inseridas nestes contextos, continuam sem aprender e sem interesse em aprender, pois estão comprometidas não com o Jesus das Escrituras, mas com as atividades e tarefas que encontraram no círculo social que a igreja lhes proporcionou.

Elas ouviram quase nada sobre Cristo, não entenderam ainda porque precisam crer Nele, não entenderam o significado do pecado, da graça e da justiça de Deus, não entenderam o motivo pelo qual Jesus teve de morrer numa cruz, não entenderam o que é a igreja, sua peculiaridade e importância, não sabem quem são os profetas, os salmistas, os apóstolos, mas já estão em nossos púlpitos dando testemunhos de conversão, tocando suas guitarras, vestidas com suas camisetas gospel, cantando, pulando e chorando de emoção.

É duro admitir, mas por vezes, muitas destas pessoas estão comprometidas apenas consigo mesmas, com suas necessidades relacionais, com seus anseios por algo ou alguém que lhes tire do tédio em que vivem. Estão deslumbradas com o palco, com as luzes, com a música, com as cores, com a evidência que terão e com a oportunidade de viverem novas experiências que lhes trarão novas sensações de bem estar e ego saciado.

Estão amando o novo círculo social, as novas amizades e as novas possibilidades que elas trazem, mas ainda não têm convicção profunda dos pecados que as acometem todos os dias, não amam o Cristo de Deus e seu evangelho subversivo, que faz desmoronar em nós o egoísmo de nossas caprichosas necessidades caídas, para no lugar delas fazer jorrar o verdadeiro amor, que ama a Deus e somente a Ele sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.

Pensando e repensando o caminho

Somos evangélicos que amam ao evangelho e ao Cristo do evangelho, ou apenas seguidores de uma mera religião? Somos de fato convertidos de todo coração ou apenas aderimos a um novo modismo de vida? Você já parou pra se perguntar se faz o que faz e está onde está no Reino de Deus por amor a Deus ou a si mesmo? Seu engajamento no Reino de Deus tem lhe custado algo? Você tem descoberto semana após semana, quão perversos e profundos são os seus pecados e quão gigante é o amor de Deus, que mesmo diante de tamanha afronta cometida contra Ele insiste em te amar todos os dias? Seu coração tem queimado na direção de compartilhar com seus amigos e amigas estas verdades incomparáveis e preciosíssimas do evangelho de Jesus, ou você está interessado apenas num tempo bacana de descontração e risadas com os amigos da igreja?

Você já parou pra pensar que talvez a sua missão na igreja, por hora, seja passar um tempo apenas sentado, ouvindo, sendo discipulado, pensando, repensando, fundamentando seus conceitos e refletindo na Palavra de Deus, pedindo pra que Ele molde seu caráter de acordo com o que ela diz, para que você possa servi-lO no mundo como testemunha fiel, com cada vez mais excelência, dedicando a Ele seus talentos e aptidões na área da vida em que Ele te colocar?

É claro que não estou falando que você não deve se envolver vigorosamente na igreja do Senhor, apenas estou ponderando que seu envolvimento deve ser feito de forma consciente e fundamentado numa profunda convicção de quem é o Deus a quem você serve, como Ele pensa e o que Ele requer de você.

Seu engajamento na igreja não deve ser um fardo, nem uma prisão, tampouco uma espécie de entretenimento barato que serve apenas para suprir suas necessidades relacionais ou segurar pessoas nos círculos sociais que criamos. Antes, deve ser fruto de uma madura compreensão de qual trabalho o Senhor realmente te chamou para fazer para Ele, seja dentro ou fora da igreja, com ricos ou pobres, crentes ou incrédulos, jovens ou idosos.

Até porque a igreja somos nós, cristãos devotados ao Senhor Jesus, espalhados pelo mundo de Deus, com a responsabilidade de sinalizar com obras e palavras que há redenção pelo sangue de Cristo para todos os problemas e mazelas da humanidade, a começar por nosso coração caído, idólatra de nós mesmos e constantemente rebelde diante do Senhor. Seja Ele nossa luz e nosso discernimento em todos os momentos, sonhos e empreendimentos que estão por vir.

Que Deus nos alcance!

Lucas Freitas é plantador da Igreja Presbiteriana do Brasil na cidade de Cunha/SP, é bacharel em teologia pela FUNVIC – Fundação Universitária Vida Cristã em Pindamonhangaba/SP, é formado no SEDEC – Seminário de Desenvolvimento Comunitário pelo CADI Brasil, na Escola Compacta pela Missão Steiger Brasil e no CTM Centro de Treinamento Missionário da Igreja Presbiteriana do Brasil.


A fé em Jesus é uma fé intimamente ligada ao coração. Mas o que exatamente quero dizer por coração? Coração na abordagem de Jesus é o nosso centro existencial, é o âmago do nosso ser. É aquele lugar onde residem todas as nossas motivações, angústias, alegrias, medos, tristezas, euforias e intenções.

O coração tanto cobiça indevidamente aquilo que não lhe pertence, como é, também, a residência dos mais sublimes sentimentos que nutrimos pelas pessoas. É o lugar que só você e Deus chegam. É onde podemos testemunhar sem mentiras o quão maus somos e o quão restaurados estamos, ou não, sendo pelo Espírito Santo. O coração é o centro de tudo, é o lugar mais íntimo da nossa existência, e também o lugar mais delicado de se mexer na história de um ser humano.

Curioso é que Jesus fala, que do coração é de onde procedem os maus desejos, e é exatamente aí onde temos uma sonora confusão. O pecado e a maldade são intrínsecos ao seres humanos. Nossa maldade é voluntária, e desde o nascimento até o fim da vida não paramos de pecar. Somos desobedientes por natureza, somos miseráveis criaturas que precisam desesperadamente da intervenção de Jesus para que saiamos do lamaçal de rebeldia contra Deus no qual nos encontramos.

Por isso, a conversão não pode ser confundida com algo raso, banal ou fácil demais. Estamos falando de um processo de proporções estruturais na vida de uma pessoa. Não podemos confundir a conversão bíblica com um levantar de mãos ou com uma oração na frente de uma congregação.

Conversão não pode se resumir a apresentação de números estratosféricos pela liderança das igrejas ao término de seus eventos, onde não poucas vezes, nem mesmo o evangelho de Jesus foi pregado. Como podemos alegar que diante da inexistência da pregação do evangelho existam verdadeiros novos convertidos?

Conversão é muito mais do que tornar-se membro da igreja da moda que tem o movimento do momento. É mais do que procurar a denominação com o melhor louvor, a melhor luz, o melhor som ou com a galera mais ‘descolada’. Não que estas coisas sejam erradas em si mesmas, todavia, conversão real está anos-luz disso tudo.

Conversão implica em uma radical transformação do coração. É uma vida inteira de idolatrias e equívocos deixada para trás e a adoção de um novo modo de vida completamente diferente, com base única e exclusiva nos ensinamentos e nas palavras de Jesus. É um processo dolorido de troca de mentalidade, pressupostos, cosmovisão, e isso, não é nada simples.

É nesse ponto que eu queria te desafiar a refletir seriamente se tem sido verdadeiramente o Senhor Jesus que tem dominado o seu coração. Você está em busca de Jesus ou das coisas que você pode arrancar dEle? Queria te desafiar a sondar seu coração e examinar francamente o que tem te motivado, e exatamente porque você tem vivido e feito tudo que vive e faz, seja dentro ou fora da igreja.

Infelizmente, é possível que passemos anos e anos frequentando cultos, retiros, evangelismos, shows e toda sorte de ambientes religiosos, mas ao mesmo tempo completamente distantes de Deus e de um relacionamento verdadeiro com Jesus. O fato é que você não sabe cuidar tão bem de si mesmo quanto Deus nosso Pai o sabe, e se você está procurando qualquer outra coisa na vida pra suprir seus sonhos e desejos que não o próprio Senhor, você precisar se arrepender e abandonar a vida idólatra e egoísta em que você está afundado. Acredite, Cristo é suficiente!

Transformaram uma parte significativa da igreja em um supermercado da fé e Jesus em um multi-produto que atende a todas as nossas fúteis aspirações narcisistas e diabólicas. Tudo isso é fruto da nossa natureza caída e do nosso coração pecador que rompeu com os valores do Reino de Deus e com o próprio Deus. E o que é pior, nós cristãos caímos nessa mentira, nós a alimentamos, nós mesmos a divulgamos.

Todavia, há esperança! Jesus redime corações, ressignifica motivações, traz novo sentido para nossa existência e faz novas, consistentes e verdadeiras conversões para glória de Seu Santo nome.

Minha reflexão é fruto da preocupação de estarmos vivendo domingo após domingo, retiro após retiro, louvorzão após louvorzão, uma mentira travestida de religião cristã. De estarmos buscando êxtases e arrepios espirituais em lugar do evangelho do contrito de coração, ou de estarmos buscando satisfação e contentamento em outros lugares, quando na verdade Aquele que é tudo em todos, e que é o único que pode verdadeiramente suprir os mais íntimos desejos e necessidades de nossas almas, quer apenas uma única coisa de nós: o nosso coração.

Oro pra que sua conclusão ao examinar-se a si mesmo não seja de que sua conversão é na verdade uma grande confusão, porém se o for, alegre-se, ainda há tempo para verdadeira conversão, arrependa-se, mude sua forma de ver o mundo, faça isso todos os dias. É a ordem do Mestre!

Que Deus nos cubra com suas misericórdias e nos alcance com seu infinito amor, e que nossas consciências sobre a profundidade e seriedade do que significa converter-se ao Senhor, seja mais apurada e séria, de modo a que nossas vidas estejam cada vez mais rendidas aos pés da cruz, para honra e louvor de Cristo, nosso Senhor!

Que Deus nos alcance!

Lucas Freitas é plantador da Igreja Presbiteriana do Brasil na cidade de Cunha/SP, é bacharel em teologia pela FUNVIC – Fundação Universitária Vida Cristã em Pindamonhangaba/SP, é formado no SEDEC – Seminário de Desenvolvimento Comunitário pelo CADI Brasil, na Escola Compacta pela Missão Steiger Brasil e no CTM Centro de Treinamento Missionário da Igreja Presbiteriana do Brasil.


Pode soar um tanto radical, mas de um modo geral, essa ideia jamais será encontrada nos ensinos da Bíblia Sagrada. A mensagem da verdadeira religião cristã ali exposta, nunca departamentalizou a vida humana. No ensino bíblico, a fé nunca está à parte das obras, o conhecimento nunca está à parte das ações e as afeições nunca estão à parte da concretude da vida cotidiana.

O domínio de Cristo deve se fazer realidade em todos os meandros da nossa existência, inclusive e de forma bastante destacada, em nossas afeições e sentimentos, de modo que se você apenas age como quem ama mas seu coração não está em consonância com sua ação, você tem um problema de coerência com o qual vai ter que lidar. A Bíblia é muito clara no que tange a necessidade de harmonia entre nossos afetos e nossas ações. Segundo o apóstolo Paulo, por exemplo, podemos entregar nossos corpos para serem queimados vivos, todavia, até mesmo nossa morte em favor de alguém ou de alguma causa, sem amor, de nada valeria. Complexo, não?

O que as Escrituras estão nos ensinando é que amor com atitude mas sem afeição, na verdade, não é amor, e que existe sim a possibilidade de nossas ações, por mais positivas que sejam, estarem sendo completamente em vão. Para Deus o que está em jogo é muito mais do que uma atitude correta, mas o coração no lugar certo.

Só os puros verão a Deus

É incrível como Jesus sempre vai no âmago das questões. Jesus está sempre se importando com a raiz, com o radical, com o que há de mais verdadeiro e profundo no ser humano, em suma, com o nosso coração. Ele mesmo disse que felizes serão aqueles que são puros de coração, estes e apenas estes verão a Deus.

Não adianta você apenas agir como quem ama se na verdade seu coração não está em harmonia com a sua ação. Jesus é Senhor de tudo, não apenas do campo prático ou do campo afetivo da vida. É sim, verdade que afetos nada são se não vierem acompanhados de ação, contudo, é verdade também, que ações nada são se não vierem regadas de verdadeiros afetos. Na união do coração e da ação reside o segredo do verdadeiro amor cristão.

Seja o Senhor o fundamento de todo nosso afeto e de toda nossa ação, e que possamos viver e compartilhar o verdadeiro amor que brota no coração enternecido daquele que só ama e só pode amar porque primeiro foi amado verdadeiramente por aquele que nada mais é do que o próprio amor.

Que Deus nos alcance!

Lucas Freitas é plantador da Igreja Presbiteriana do Brasil na cidade de Cunha/SP, é bacharel em teologia pela FUNVIC – Fundação Universitária Vida Cristã em Pindamonhangaba/SP, é formado no SEDEC – Seminário de Desenvolvimento Comunitário pelo CADI Brasil, na Escola Compacta pela Missão Steiger Brasil e no CTM Centro de Treinamento Missionário da Igreja Presbiteriana do Brasil.


Questões como: “Deus realmente existe?” ou: “podemos conhecê-lo de fato?”, ou ainda: “que ligação há entre Deus e o universo criado?” ocupam a mente humana desde muito tempo. Em busca de responder estas e outras perguntas, o ser humano se enveredou por caminhos obscuros. Até entre as civilizações mais remotas há alguma crença em uma (ou mais) divindade, seja ela chamada de “deus” ou não. O fato é que tentar julgar, pela nossa experiência, a existência de um ser infinitamente superior a nós é uma tarefa pesada demais.

Por isso, várias teorias e religiões têm sido formadas, a fim de tentar responder a cada uma dessas perguntas. Ateus, agnósticos, politeístas, panteístas, monoteístas, deístas, dualistas, antropoteístas, panenteístas, e outros têm sugerido as mais diversas explicações, apresentando, de alguma forma, velada ou explícita, o seu deus. As mais vagas e etéreas ideias a respeito de Deus são criadas. Alguns se esforçam por cauterizar a própria mente, negando a existência de Deus; outros criam deuses à sua imagem e semelhança.

Por haver tamanha importância no assunto, ao longo da história vários teólogos e filósofos já se aventuraram nesta árdua investigação. O fruto disso é que inúmeros argumentos têm sido desenvolvidos para evidenciar a fé teísta, especialmente a fé cristã. O argumento moral, cosmológico, teleológico, do consenso universal, dentre outros, testemunham acerca da fé cristã. Todavia, todo este material já produzido só tem real valor se construído sobre o firme fundamento das Sagradas Escrituras. Desta forma sim, este deve nos fazer cair de joelhos diante de tamanha grandiosidade do único Deus.

Apesar de reconhecermos o valor destes argumentos e louvarmos a Deus por eles, nós, cristãos reformados, não tentamos, com raras exceções, provar a existência de Deus através destes argumentos, pois cremos que são insuficientes para levar o homem à fé. Cremos que somente através da revelação especial, inspirada e revelada nas Escrituras, operada pelo Santo Espírito no coração do ouvinte, é que este passa a crer e confiar-se a Cristo Jesus. Pois está escrito: “A fé vem pelo ouvir e o ouvir pela Palavra de Deus” (Rm 10.17).

Embora a Bíblia não tenha como foco convencer o incrédulo de que Deus exista, para o cristianismo a existência de Deus é um assunto da mais alta importância. Aliás, não há cristianismo sem a crença em Deus. Isto se torna claro logo no primeiro verso de toda a Escritura: “No princípio, Deus criou os céus e a terra” (Gn 1.1). O Texto Sagrado é iniciado falando de Deus. O autor, aqui, parte da premissa de que Deus existe de fato e que Ele é o arquiteto, criador e sustentador do universo, que faz todas as coisas segundo o conselho da Sua vontade. Sua intenção principal não é provar a existência de Deus. Deus existe.

Neste pequeno verso de Gênesis, o autor demonstra, pelo menos, cinco características a respeito do Senhor. A primeira é que Ele existe. O autor do texto não tem dúvidas de que nosso Deus é real, vivo e verdadeiro. A segunda característica no texto é que Ele é único. O autor fala a respeito de um Deus apenas, e não de vários deuses. A terceira é que Deus é o arquiteto do universo, e que todas as coisas foram criadas de acordo com o Seu propósito. Mais tarde o autor da carta aos Hebreus entendeu isto (Hb 11.10). A quarta particularidade é que Deus é o criador de todas as coisas. Nosso Deus demostra seu poder e glória em meio à criação. A quinta característica que o autor aponta é que o Criador não se confunde com a criação.

E embora o Criador e a criação sejam diferentes, é evidente que a criação glorifica o seu Criador. Basta olharmos ao nosso redor e perceberemos que existe Alguém maior que nós. Há um senso no homem de que existe uma Divindade (Rm 1.18). As obras de Suas mãos demonstram Seu poder. O apóstolo Paulo nos ensina isto em Romanos 1.18-32. As coisas criadas, escreve Paulo, revelam os atributos invisíveis de Deus, bem como seu eterno poder e divindade (Rm 1.20). Deus se revelou através de toda Sua criação. O problema é que o coração do homem se obscureceu diante de tal revelação, preferindo adorar a criatura ao invés do Criador (Rm 1.21-25).

Esta revelação, chamada de revelação geral ou universal, não tem caráter salvífico, pois os homens “detêm a verdade em injustiça” (Rm 1.18), mudando “a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem do homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis” (Rm 1.23) trocando “a verdade de Deus pela mentira” (Rm 1.25). Esta revelação, portanto, é insuficiente para a salvação, pois não revela a mensagem do Evangelho (Rm 1.16,17). Mas, então, qual sua serventia? Deixar inescusável o homem diante do Deus santíssimo (Rm 1.21-25).

É devido a isto que o argumento dos escritores bíblicos faz necessário fé para crer em Deus. O autor aos Hebreus, por exemplo, diz que “sem fé é impossível agradar a Deus; porque é necessário que aquele que se aproxima dele creia que Ele exista e que é galardoador dos que O buscam” (Hb 11.6, ênfase acrescentada). O texto de Romanos 10.17 diz que a fé nasce em ouvir a proclamação da Palavra de Deus. Em outras palavras, toda crença humana que não nasce através da operação Divina nos corações ao ouvir a mensagem do evangelho não retrata a verdadeira fé. A verdadeira fé, que é salvífica, diz Paulo, nos é dada por Deus para que a glória seja somente dEle (Ef 2.8).

As crenças dos homens tem um valor de superstição, engano e mentira diante de Deus. Não há verdadeira fé no homem, senão aquela que nasce da ação sobrenatural do Espírito mediante a proclamação da Verdade. É a fé que nos faz entender a Palavra de Deus como ela é e crer nela de todo nosso coração, alma e pensamento. É somente “pela fé”, diz o autor de Hebreus, que “entendemos que o universo foi criado pela Palavra de Deus” (Hb 11.3), como diz em Genesis 1.1. A Palavra de Deus está revestida da autoridade do próprio Deus. E a capacidade de crer de fato em toda revelação divina é dom de Deus (cf. Ef 2.8).

É olhando para a Palavra de Deus que a Confissão de Fé de Westminster (CFW), que é a confissão de fé mais completa já escrita pela Igreja, afirma a existência de Deus nestes termos: “Há um só Deus vivo e verdadeiro, o qual é infinito em seu ser e perfeições. Ele é um espírito puríssimo, invisível, sem corpo, membros ou paixões; é imutável, imenso, eterno, incompreensível, – onipotente, onisciente, santíssimo, completamente livre e absoluto, fazendo tudo para a sua própria glória e segundo o conselho da sua própria vontade, que é reta e imutável. É cheio de amor, gracioso, misericordioso, longânimo, muito bondoso e verdadeiro remunerador dos que o buscam e, contudo, justíssimo e terrível em seus juízos, pois odeia todo o pecado; de modo algum terá por inocente o culpado.” (CFW II.I).

Todas estas afirmações a respeito de Deus supracitadas podem ser conferidas nas Escrituras e/ou inferidas diretamente delas. Por exemplo, quando a CFW afirma que “há um só Deus vivo e verdadeiro”, nós podemos conferir sua referência: “Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor” (Dt 6.4, ênfase acrescentada). Ou então, dizeres como Deus “é imutável”, citados também na CFW, podem ser corretamente inferidos de Sua perfeição e, também, conferidos em Sua Palavra: “Porque eu, o Senhor, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos.” (Ml 3.16, ênfase acrescentada).

Nossa missão diante deste mundo caído, portanto, é erguer a nossa voz em meio a tantas cosmovisões e declarar, no poder do Espírito, que cremos em um único e verdadeiro Deus (Dt 6.4), distinto da criação (Gn 1.1), que é Espírito (Jo 4.24), vivo (Hb 10.31), santo (Is 6.3), amor (1 Jo 4.8), luz e fiel (1 Jo 1.5,9; cf. Jo 1.9), misericordioso, compassivo, longânimo e assaz benigno (Sl 103.8), o justo juiz (Sl 7.11), terrível, zeloso e vingador do mal (Na 1.2), como testemunham as Escrituras. Esta é a Verdade. É este o verdadeiro Deus. Esta é a nossa fé.

Rafael Almeida. 24 anos, nascido em Passa Quatro – MG. Formado em Redes de Computadores pela Fatec/Cruzeiro – SP. Coordenador dos trabalhos da Igreja Batista Reformada em Passa Quatro – MG. Tem interesse especial em hermenêutica e exegese. Rafael é casado com Ana Cristina.


O fato é que a nossa teologia corre sério risco de ficar presa no campo das ideias e não descer para o coração. Uma teologia presa ao intelecto, redunda numa fé morta, que não gera frutos e não pode ser vista por meio de obras. É preciso que estejamos constantemente alertas, a que nossa teologia não nos transforme em cristãos calculistas de coração árido, que transformaram a caminhada com Jesus numa espécie jogo chato de cartas marcadas.

Tenho andado bastante preocupado com essa experiência puramente racional da fé cristã. Ademais, minha abordagem não vai somente na direção daqueles que muitas vezes exageram por serem demasiadamente frios, teológicos e racionais, estou falando de um modo geral, pra gente comum, estou falando sobre mim e pode ser que esteja falando até mesmo sobre você.

Por vezes, tenho a impressão de que toda a esperança que exala dos ensinos bíblicos para o homem, principalmente quando estamos em meio ao sofrimento, fica enclausurada no âmbito religioso da nossa experiência cristã. Fica presa no domingo, no culto, na leitura, na oração e no sermão. Não desce para realidade da segunda-feira de manhã. É uma esperança bela, estudada e aclamada, porém desconectada da vida real, uma esperança no porvir que não tem desdobramento ou influência nenhuma no aqui.

Temo estarmos vivendo uma fé distante, que faz sentido para a cabeça, mas não para o coração.

Uma fé que não confere a nós segurança, alívio, descanso e confiança real de que temos alguém que olha por nós não apenas ali e além, mas aqui e agora. Essa fé tão bela que testemunha a maior vitória da história humana sobre a morte e sobre o sofrimento parece não ganhar forma na nossa experiência cotidiana, frente aos desafios que todos os dias temos de enfrentar. Julgo que conectar estas duas pontas é o nosso maior desafio.

Não são poucas as vezes que tenho testemunhado o sofrimento batendo à porta de meu próprio coração, de forma que minha reação destoa por completo de um comportamento que é fruto de uma vida firmada na certeza de que Deus continua sendo Deus e nada sai do controle de suas mãos.

Tenho procurado me arrepender desse tipo de reação, pois ela não é digna do Senhor nem de Sua Palavra. Ela revela apenas como muitas vezes podemos estar entretidos com uma fé ilusória e teórica, que precisa ser arrancada pela raiz da nossa experiência com Deus para que a fé verdadeira, que não anda por vistas, mas no poder do evangelho, entre em nossos corações e faça morada definitiva.

Outra possibilidade à qual temos de estar atentos é quando transformamos nossa caminhada cristã em uma espécie de ativismo em favor de justiça social e do próximo, mas ao mesmo tempo estamos com o coração completamente bagunçado, distante de Deus, fingindo uma espécie de engajamento no Reino quando, na verdade, estamos mesmo é correndo o mais rápido possível para longe da realidade feia que estamos vivendo. Esse definitivamente não é o caminho.

A prática do amor ao próximo deve ser resultado de um coração seguro e descansado na provisão do Senhor, e não uma fuga desequilibrada de quem busca alívio de suas aflições na força de suas próprias ações.

Confesso que não tenho uma fórmula pronta para indicar aqui. O texto talvez seja apenas uma oração para que Deus fortaleça e amadureça a nossa fé, de modo que ela transcenda o intelecto, o domingo e a religião vazia — não a verdadeira — transformando-se em algo palpável e evidente a cada momento de nossas vidas, principalmente naqueles onde a dor e o sofrimento mais predominam.

Que nessas horas ela faça de fato sentido e seja visível, que paremos de correr para outros braços, outros fundamentos, outras ideologias. Que as lágrimas de desolação e incerteza deixem de ser nosso porto seguro e que a fé no Cristo de Deus, soberano vencedor sobre todas as coisas, aquiete nossos corações na certeza inabalável de que Ele é nosso pastor e absolutamente nada nos faltará!

Que sejamos testemunhas fiéis de que Cristo verdadeiramente vive em nós! Seja Ele a verdade plena de todos os dias em nosso coração e a luz que ilumina a esperança viva no caminho tantas vezes obscurecido e confundido por toda essa escuridão.

Que Deus nos alcance!

Lucas Freitas é plantador da Igreja Presbiteriana do Brasil na cidade de Cunha/SP, é bacharel em teologia pela FUNVIC – Fundação Universitária Vida Cristã em Pindamonhangaba/SP, é formado no SEDEC – Seminário de Desenvolvimento Comunitário pelo CADI Brasil, na Escola Compacta pela Missão Steiger Brasil e no CTM Centro de Treinamento Missionário da Igreja Presbiteriana do Brasil.


É preciso que se tenha bastante maturidade para tratar deste tema – tolerância e intolerância – tão sensível sem que deixemos a sobriedade e o bom senso de lado, e transformemos o debate num campo de batalhas onde sobeja o ódio e o destempero emocional. Todavia, é preciso também, que tenhamos coragem para encarar a realidade da reflexão proposta no texto a respeito da mensagem que encontramos nos evangelhos, sobre quem é Jesus e sobre o que Ele realmente significa para a humanidade.

Politicamente incorreto

O fato é que a mensagem de Jesus, como veremos, em vários momentos, não foi e não é nada democrática ou tolerante. A fé cristã possui inúmeros paradoxos e um deles é este: ela resguarda o direito à liberdade de crença, mas no cerne de sua mensagem apresenta-se a si mesma como a única crença verdadeira.

Você jamais verá qualquer ensinamento bíblico que pregue a imposição da fé em Jesus, seja por violência, coerção ideológica, militar ou qualquer outro método. A fé em Cristo é um dom de Deus, concedido por graça através do Espírito Santo, é assim que a Trindade sempre agiu e é assim que sempre agirá. Coerção não tem nada que ver com fé cristã, jamais será evangelho de Deus. Entretanto, ao mesmo tempo, você vai encontrar o próprio Cristo e todos os seus sucessores no Novo Testamento ensinando consequências horríveis para os que livremente negarem a fé apregoada por eles mesmos registrada nas Sagradas Escrituras.

O argumento indiscutível

O maior e mais impressionante argumento que os cristãos têm a favor deste exclusivismo, são as próprias palavras de Jesus. Não fossem as palavras dEle tão contundentes, a exclusividade da fé cristã estaria seriamente abalada. Mas Jesus não deu brechas, em vários momentos Ele próprio fez alegações seríssimas a respeito de si mesmo e do que sua pessoa significava e significa para a existência, passado, presente e futuro da raça humana.

Jesus afirma, por exemplo, que no início de todas as coisas viu a queda de Satanás (Lc 10.18); aos pecados que homens e mulheres cometiam diante de Deus, ele fornecia perdão (Mc 2.5); Ele chega a dizer na cara de judeus fariseus e mestres da Lei que antes que Abraão existisse, Ele já era (Jo 8.58); afirmou sobre si mesmo ser o caminho, a verdade e a vida (Jo 14.6); disse as irmãs Marta e Maria ser ele mesmo a ressurreição e a vida (Jo 11.25); quando Tomé lhe adorou chamando-o de Senhor e Deus aceitou prontamente a adoração sem se opor a tal; estes são apenas alguns dentre os inúmeros outros testemunhos bíblicos a respeito da exclusividade e divindade da pessoa de Jesus.

Ele e ninguém mais

Jesus não disse ser um ente espiritual com poderes sobrenaturais capazes de nos levar a Deus, Ele simplesmente diz: venham até mim, eu sou o caminho, não existe outro, em mim está a redenção que vocês precisam, somente eu tenho o perdão dos pecados que vocês cometeram, não acreditem em mais ninguém, pois eu sou a verdade que liberta vocês. Ora, estivesse Jesus nos tempos atuais, Ele seria bombardeado de todos os lados como sendo um grande intolerante religioso fundamentalista, um ignorante retrógrado de quinta categoria. Mas pasmem, o discurso de Jesus é exatamente esse, Ele arroga ser a grande solução do problema da humanidade. Ele diz ser a fonte de águas vivas que sacia o insaciável coração humano. Jamais nenhuma figura na história humana afirmou isso de si mesma. O que nós temos aos montes são homens e mulheres apontando um caminho para Deus, e não agindo verdadeiramente como se fossem o próprio Deus.

O Jesus que temos pintado hoje na grande mídia, nos filmes, nas séries, nas propagandas, na literatura e nos documentários trata-se de uma grande fábula, uma distorção, é, na verdade, um Jesus que nunca existiu. Temos hoje muita gente falando sobre Jesus que, ao que parece, jamais leu o que Jesus de fato falou. Muita gente inventando um Jesus conveniente e propenso a concordar com seus interesses, que não se parece em absoluto com o Jesus revelado nas Escrituras.

A dúvida que resta é saber se isso é feito por ignorância ou desonestidade intelectual, de fato. Parece não haver o mínimo de pesquisa para se conhecer o básico das ideias de Jesus encontradas explicitamente nos evangelhos. Talvez exista, além do desinteresse evidente na verdade, um certo receio de se descobrir algo que não seja assim tão agradável para os padrões ideológicos atuais dos formadores de opinião do mundo moderno.

O trilema

O reverendo presbiteriano John Duncan no século XIX propôs um trilema, que um século depois seria popularizado sobremaneira pelo escritor anglicano C. S. Lewis. O trilema é simples: ou Jesus foi um louco, ou foi um grande mentiroso, ou Jesus é exatamente quem disse ser. Toda mente humana honesta consigo mesma, deverá se posicionar diante deste trilema em algum momento na vida. O que não é possível é que se adote uma posição neutra diante da questão. Não é possível que se sustente um discurso pacifista do estilo daqueles que dizem: “Jesus foi um bom homem, um líder exemplar, um grande Mestre de sabedoria inigualável, que muito contribuiu para a evolução da humanidade e para a espiritualidade do ser humano como um todo”, mas que sempre relega Jesus como apenas mais um sábio na história, e sua mensagem como apenas mais uma corrente ideológica a ser debatida e analisada no mundo. A mensagem de Jesus não deixa espaço para isso!

A questão a ser encarada é: ou Jesus é exatamente quem disse que era e sua mensagem tem absoluta proeminência sobre todas as outras ou ele não é digno de ser nem lido ou ouvido, pois não passa de um charlatão ou um desequilibrado.

Jesus não divide seu lugar com ninguém, e isso é inadmissível no mundo de hoje! Você tem até o direito de não crer, mas o que Jesus dirá a você é que se você não se arrepender dos seus pecados e colocar sua fé nEle, o seu destino será padecer no inferno sobre a ira santa de um Deus Justo que não pode deixar pecados e pecadores sem suas devidas punições. Trata-se de uma mensagem altamente radical, mas que não mudou e jamais mudará.

A falsa paz

Em tempos como os nossos, temos presenciado certas tentativas de sincretismo entre o cristianismo bíblico e outras mensagens e cosmovisões, tudo em nome de uma falsa paz e do politicamente correto. Mas não podemos abrir mão da própria pessoa de Jesus em nome de uma pretensa paz com o mundo. Com Jesus, a tolerância a outros caminhos e cosmovisões não é bem-vinda. Ele se coloca de forma contumaz como o único caminho e a única verdade, e nós como cristãos devemos ter coragem para sustentarmos essa mensagem frente ao mundo secularizado e hostil a qualquer ideologia que arrogue para si exclusividade.

O desafio que fica é: como respondemos ao trilema proposto pelo Reverendo Duncan? Temos coragem de responder? Se sim, temos coragem de assumir as consequências de nossa resposta? Os dias são maus e, como sempre, a porta continua estreita. Que o Senhor nos capacite a mantermos sua mensagem viva e intacta tal qual ele nos legou, e que tenhamos fé de que tudo que Ele disse a respeito de si mesmo é a mais linda verdade com a qual o homem pode ter contato em toda sua história. Que diante destas afirmações nosso coração se encha de esperança e certeza que temos um futuro, um Salvador e um Senhor que tudo sabe e tudo faz para que tenhamos vida e a tenhamos em abundância. Coragem seja dada do alto a todos nós!

Por último, não nos esqueçamos que a lógica do politicamente correto é frágil e falsa: tolerância para com tudo e para com todos, exceto para com aqueles que pensam diferente.

Sustentar a viabilidade de se afirmar a veracidade de cosmovisões que são frontalmente antagônicas e negam-se mutuamente é o caminho daqueles que tem preguiça ou medo de irem, de fato, mais fundo em busca da verdade. Para estes o caminho mais fácil é a ridicularização da religião e a criação de um novo ídolo: o relativismo. Que além de irracional, não deixa de ser uma espécie de nova religião.

Que Deus nos alcance!

Lucas Freitas é plantador da Igreja Presbiteriana do Brasil na cidade de Cunha/SP, é bacharel em teologia pela FUNVIC – Fundação Universitária Vida Cristã em Pindamonhangaba/SP, é formado no SEDEC – Seminário de Desenvolvimento Comunitário pelo CADI Brasil, na Escola Compacta pela Missão Steiger Brasil e no CTM Centro de Treinamento Missionário da Igreja Presbiteriana do Brasil.